A ascensão do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como símbolo de eficiência no combate ao crime tem encontrado eco entre setores da extrema-direita brasileira. Após a megaoperação policial no Rio de Janeiro — a mais letal da história do país, com 121 mortos —, políticos como o deputado Nikolas Ferreira (PL) passaram a defender abertamente a adoção do chamado “modelo Bukele” no Brasil.
O parlamentar chegou a sugerir que, se um dia chegasse a presidente, implantaria medidas semelhantes às do salvadorenho, que transformou seu país em uma espécie de “prisão a céu aberto”. Contudo, o entusiasmo ignora as profundas contradições e ilegalidades desse modelo à luz da Constituição brasileira.
Juristas apontam que as práticas adotadas em El Salvador — prisões em massa sem mandado judicial, supressão do direito de defesa, ausência de devido processo legal e julgamentos coletivos — violam frontalmente direitos e garantias fundamentais previstos na Carta Magna de 1988, como a presunção de inocência, o habeas corpus e o respeito à dignidade humana.
Embora os índices de criminalidade em El Salvador tenham caído de forma expressiva, o custo foi a erosão do Estado de Direito e o enfraquecimento das instituições democráticas. A militarização da segurança e a concentração de poder nas mãos do Executivo criaram um ambiente de exceção permanente, em que a eficiência se sobrepõe à legalidade.