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Política

A saída do PSDB e os limites do discurso conciliador de Aava

Embora a vereadora tente transmitir a ideia de uma saída serena e pactuada, nos bastidores do PSDB o sentimento é outro. Setores da legenda relatam desconforto e até frustração de Marconi Perillo, sobretudo porque Aava era tratada como o principal nome tucano para liderar uma chapa competitiva à Câmara dos Deputados

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Aava Santiago, vereador de Goiânia, deixa o PSDB para se filiar ao PSB

A saída da vereadora de Goiânia Aava Santiago do PSDB goiano para o PSB expõe uma contradição que vai além da troca partidária e revela os limites do discurso conciliador em um cenário político cada vez mais polarizado e programático.

Eleita em 2024 com mais de 10 mil votos, Aava sempre construiu sua trajetória pública ancorada em pautas progressistas, de esquerda, e numa defesa explícita do governo Lula. Sob esse prisma, a desfiliação do PSDB de Marconi Perillo é vista por analistas como um movimento de correção de rota, destinado a restabelecer a coerência ideológica de seu mandato.

O problema surge quando a vereadora tenta sustentar que, mesmo fora do ninho tucano, seguirá engajada no projeto político de Marconi Perillo, seu padrinho político e atual presidente estadual do PSDB. A afirmação soa mais como um esforço retórico para suavizar a ruptura do que como algo viável na prática.

O projeto de Perillo é público e notório: disputar o governo de Goiás pela quinta vez e se colocar no campo da oposição nacional ao presidente Lula, a quem já deixou claro que não apoiará em 2026. Trata-se, portanto, de uma estratégia que caminha em sentido diametralmente oposto ao de Aava.

A contradição fica ainda mais evidente quando se considera que um dos principais motivos da filiação da vereadora ao PSB é justamente a possibilidade de ajudar a construir um palanque sólido para Lula em Goiás.

Ou seja, enquanto Aava se move para um partido alinhado ao campo progressista e à base do governo federal, Perillo se organiza para liderar um projeto estadual desvinculado — e potencialmente antagonista — ao lulismo. Sustentar simultaneamente essas duas agendas é politicamente inviável.

Respeito ao seu eleitorado
Ainda assim, ao migrar para o PSB, Aava Santiago paga um preço político imediato, mas ganha algo estratégico: coerência. Livre das ambiguidades impostas por uma filiação cada vez mais desconectada de suas posições, a vereadora passa a falar com maior clareza ao seu eleitorado.

Em tempos de cobrança por autenticidade, essa escolha pode se revelar menos confortável no curto prazo, mas mais honesta e sustentável no longo.

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