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Política

Aava Santiago e a sinalização contraditória no comando do PSB goiano

O discurso de Aava colide frontalmente com a posição da presidente estadual do PT, deputada Adriana Accorsi, que não escondeu a decepção com as primeiras sinalizações da nova dirigente do PSB

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Vereadora Aava Santiago vai presidir o PSB em Goiás

A ascensão da vereadora de Goiânia Aava Santiago ao comando do PSB em Goiás, logo após sua saída do PSDB de Marconi Perillo, causou mais espanto e desconfiança do que entusiasmo no campo progressista goiano. A chegada de Aava ao PSB marca uma necessária correção de rota ideológica de seu mandato — avaliação, aliás, compartilhada por diversas lideranças que viam crescente incompatibilidade entre seu discurso e a identidade tucana em Goiás.

No entanto, a forma como a vereadora tem iniciado a condução desse reposicionamento político levanta dúvidas legítimas sobre seus reais objetivos. Reeleita em 2024 com mais de 10 mil votos, Aava insiste em reafirmar seu alinhamento pessoal com Marconi Perillo, hoje pré-candidato ao governo de Goiás, mesmo após assumir a presidência estadual de um partido historicamente vinculado à esquerda e aliado do presidente Lula.

Em entrevista ao jornal O Popular, a vereadora chegou a afirmar que, embora o projeto de Marconi não seja prioritário para o PSB, é prioritário para ela. A declaração soou como um alerta vermelho entre partidos e lideranças do campo progressista, que passaram a olhar o novo PSB goiano com um pé atrás.

A contradição se aprofunda quando Aava não explica como pretende conduzir o partido em um eventual palanque pró-Lula em Goiás e, simultaneamente, sustentar apoio a um tucano que se coloca em oposição direta ao presidente da República.

O pragmatismo escancarado não para aí. Ao mesmo tempo em que verbaliza apoio à reeleição de Lula, a vereadora abriu conversações com o senador Vanderlan Cardoso, presidente do PSD em Goiás e notório bolsonarista, ampliando a sensação de que sua bússola política aponta mais para conveniências circunstanciais do que para coerência programática.

Nos bastidores, a leitura é dura: Aava Santiago tem se notabilizado na política goianiense como uma oposição combativa, mas ainda não demonstrou capacidade de agregação. Aprendeu a bater, ainda não aprendeu a somar, resumem observadores atentos.

A certeza que impera, contudo, é simples e incontornável: ninguém lidera um partido priorizando um projeto pessoal que diverge do interesse coletivo e da identidade política da legenda. Mais cedo ou mais tarde, essa conta chega.

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