A disputa judicial envolvendo a vereadora goianiense Aava Santiago revela mais do que um embate jurídico sobre fidelidade partidária: expõe um constrangimento político dentro do ninho tucano e levanta dúvidas sobre compromissos assumidos nos bastidores. Presidente estadual do PSB em Goiás, Aava sustenta que deixou o PSDB amparada por um acordo político com o ex-governador Marconi Perillo, hoje presidente licenciado da sigla e pré-candidato ao governo estadual. Segundo ela, Perillo teria dado sinal verde para a mudança de legenda, mesmo sem a existência de janela partidária para vereadores neste ano.
O problema é que a versão da vereadora não encontra respaldo na direção municipal tucana. O presidente do PSDB em Goiânia, Matheus Ribeiro, levou o caso à Justiça Eleitoral, alegando infidelidade partidária. Pela legislação brasileira, o mandato pertence ao partido, e não ao parlamentar, o que coloca Aava sob risco concreto de perda do cargo. Ribeiro afirma que não houve qualquer autorização formal para a desfiliação e lembra que o estatuto do PSDB sequer admite a chamada “carta de anuência”, frequentemente usada em negociações políticas para evitar disputas judiciais.
A narrativa de Aava, porém, é clara: sua saída teria sido previamente pactuada com Marconi Perillo. Tanto que, ao anunciar a troca de partido, a vereadora fez questão de declarar que continuaria apoiando o projeto político do tucano, mesmo passando a presidir uma legenda situada em espectro ideológico distinto. Eleita em 2024 com pouco mais de 10 mil votos e vista como promessa do PSDB para uma futura candidatura à Câmara Federal, Aava parecia representar um ativo político relevante para o partido — o que torna a disputa ainda mais intrigante.
O silêncio de Marconi Perillo diante da ação judicial apenas amplia as dúvidas. Se houve acordo, por que a direção municipal do PSDB o ignora? Se não houve, por que a vereadora afirmaria publicamente ter recebido anuência do principal líder tucano em Goiás? O episódio acaba expondo uma fissura política e estratégica: ou Aava deixou o partido confiando em um compromisso que não se sustentou, ou Marconi teria autorizado a saída e posteriormente recuado diante da reação interna. Em qualquer cenário, alguém falhou — e a conta pode terminar sendo paga no tribunal eleitoral.
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