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Política

Alexandre de Moraes e o velho roteiro da deslegitimação

Quando a acusação permanece sustentada apenas pela “fala da fonte”, sem qualquer lastro verificável, o que se produz não é informação, mas suspeição. A linha que separa investigação jornalística de leviandade torna-se perigosamente tênue

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Ministro Alexandre de Moraes, do STF, sofre ataques de setores da imprensa

O que se assiste nos últimos dias é mais um capítulo de um roteiro já conhecido da política brasileira: a tentativa de deslegitimação de instituições por meio da erosão sistemática de reputações. Desta vez, o alvo é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relator da ação penal que resultou na prisão de Jair Bolsonaro e aliados pela tentativa de golpe de Estado e pela abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Moraes passou a ser acusado, sem provas públicas, de ter pressionado o Banco Central em favor do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, recentemente preso pela Polícia Federal sob suspeita de fraudes. Até o momento, é preciso registrar com clareza que nenhuma prova minimamente consistente foi apresentada que implique Alexandre de Moraes em qualquer atuação irregular.

Toda a narrativa nasceu — e se expandiu — a partir de uma matéria publicada no jornal O Globo, assinada pela jornalista Malu Gaspar, figura conhecida desde os tempos da Lava Jato, e sustentada exclusivamente por fontes protegidas pelo sigilo.

Não há documentos, registros formais, gravações ou evidências objetivas que confirmem a versão de que Moraes teria pressionado o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para “salvar” o Banco Master. O problema se agrava quando se observa que tanto Alexandre de Moraes quanto Galípolo negaram a versão apresentada.

O ministro afirmou que jamais atuou em favor da instituição financeira, e o presidente do Banco Central confirmou que as reuniões mantidas com Moraes tiveram como pauta os impactos da Lei Magnitsky sobre o próprio ministro, e não qualquer intervenção no sistema financeiro.

Ainda assim, a jornalista insiste na acusação, apoiada apenas no relato de fontes invisíveis, sem apresentar qualquer elemento probatório que sustente sua tese.

Esse modus operandi suscita dúvidas legais e éticas. O bom jornalismo investigativo exige que, diante da negativa do acusado, o profissional apresente provas — ainda que preserve o sigilo da fonte.

O “caso Moraes” revela, mais uma vez, que o Brasil segue sob ataque permanente de forças golpistas que não se conformam com os limites impostos pelo Estado de Direito.

Quando a crítica legítima cede lugar à insinuação sem provas, quem perde não é apenas o indivíduo alvejado, mas a própria democracia, fragilizada pela banalização da suspeita e pela instrumentalização política da informação.

Consequências previsíveis

Não por acaso, a publicação da matéria foi seguida, quase de forma automática, por pedidos de impeachment do ministro, requerimentos para instalação de CPI e uma avalanche de ilações nas redes e no Parlamento. Trata-se de uma estratégia conhecida: planta-se a dúvida, cria-se o ruído e deixa-se que o desgaste institucional faça o resto.

O script é o mesmo que marcou episódios da Lava Jato, em que reputações foram destruídas antes que os fatos fossem devidamente apurados — muitas vezes com consequências irreversíveis para a credibilidade da Justiça.

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