Depois de experimentar duas derrotas seguidas para o Senado Federal – 2018 e 2022 -, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) tem sugerido em suas falas que pode tentar um quinto mandato de governador nas eleições estaduais do ano que vem. Recente pesquisa de intenção de voto para o governo goiano, divulgada na última sexta-feira (22) pela Genial/Quaest, mostra que o tucano está estacionado na disputa, com 22% da preferência dos entrevistados, quatro pontos atrás de Daniel Vilela (MDB), vice-governador, que aparece com 26%.
Para analistas, o tucano pode estar batendo no teto, já que, apesar de ser 100% conhecido da população, está atrás do emedebista, que ainda vai se apresentar ao eleitor. Além disso, dizem, o tucano cresceu apenas 1% desde dezembro do ano passado, o que é muito pouco para quem disputa eleições em Goiás desde 1998.
Apesar de seu histórico de quatro mandatos como governador, Marconi enfrenta hoje uma realidade completamente diferente daquela que o consagrou nas urnas em décadas anteriores. Seu grupo político não se renovou, e os principais nomes que o acompanharam ao longo do tempo foram perdendo espaço, relevância e, principalmente, capilaridade eleitoral. A força política que um dia moveu a máquina tucana em Goiás se dissolveu com o tempo, e o partido, atualmente, carece de lideranças com apelo popular e de estrutura financeira minimamente compatível com uma disputa majoritária.
Além disso, Marconi Perillo carrega passivos significativos de sua última gestão. Os problemas administrativos e, principalmente, os jurídicos que marcaram seu final de governo permanecem vivos na memória do eleitorado e da imprensa. Em uma eventual campanha, todos esses pontos seriam inevitavelmente revisitados, fragilizando ainda mais sua imagem perante um eleitor que já não demonstra o mesmo entusiasmo de outrora. O desgaste acumulado é um fardo pesado para quem deseja voltar a comandar o Estado.
Sem estrutura partidária, sem base social consolidada e envolto em um passado que ainda cobra explicações, Marconi se apresenta, hoje, mais como uma sombra de seu próprio legado do que como uma alternativa real de poder. O desejo do tucano pode até mobilizar nostálgicos, mas dificilmente será capaz de reorganizar um projeto político consistente. Em um cenário onde a política exige renovação, clareza de propostas e capacidade de articulação, a tentativa do tucano de voltar ao governo de Goiás parece fora de tempo — e, talvez, de propósito.