Fontes ligadas ao Palácio das Esmeraldas relacionam pelo menos quatro episódios concretos, que, segundo eles, evidenciam boicote federal ao governo de Ronaldo Caiado. Para aliados da base governista, estaria em curso uma articulação destinada a sabotar o governo de Goiás e limitar o protagonismo político que Caiado conquistou nacionalmente, especialmente diante de seu projeto presidencial para 2026.
A leitura é que há um movimento coordenado por setores do PT local e nacional para enfraquecer o governo estadual e, ao mesmo tempo, reorganizar o campo da oposição em Goiás sob a liderança da centro-esquerda. As suspeitas da turma palaciana ficou ainda mais evidente depois da divulgação de um encontro ocorrido entre a deputada federal Adriana Accorsi (PT), o assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Olavo Noleto, e o ex-governador José Eliton (PSB).
Nos bastidores, aliados do governador enxergaram o encontro como parte de um pacto de conveniência entre PT e setores do antigo marconismo, já que José Eliton foi vice e sucessor político de Marconi Perillo (PSDB), outro crítico feroz de Caiado.
Entre os episódios listados pelos governistas estão a omissão nos repasses dos SUS a Goiás, que já teriam provocado um déficit de R$ 1,2 bilhão nas contas da saúde estadual goiana; a decisão do ministro Alexandre de Morais, do STF, em ação movida pelo diretório nacional do PT, que suspendeu parte das obras do Fundeinfra; o bloqueio, por parte do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de um empréstimo de R$ 777 milhões do BID ao governo de Goiás, mesmo o Estado cumprindo todas exigências fiscais, e, ainda, a demora na liberação de um empréstimo de US$ 120 milhões do Banco dos Brics, presidido por Dilma Rousseff, para a prefeitura de Aparecida de Goiânia, comandada por Leandro Vilela (MDB), aliado do governador Caiado.
“Coincidências demais deixam de ser coincidências”
Para governistas, é evidente: o PT goiano estaria replicando a mesma estratégia de desgaste político inaugurada por Marconi Perillo num passado recente, quando provocou o Tribunal de Contas do Estado para interromper a construção do Complexo Oncológico de Goiás (Cora), primeira unidade pública para o tratamento de câncer em crianças, que foi inaugurado no mês passado.
Se há interferência deliberada do governo federal contra Goiás, ainda não há prova material. Mas, como dizem no núcleo político do governador, “coincidências demais deixam de ser coincidências”. O tempo dirá se é disputa legítima de narrativa ou sabotagem institucional em curso.