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Política

Blindagem a Gayer alimenta narrativa de que Congresso é inimigo do povo

Ao decidir pela suspensão da ação penal que corre no STF contra o deputado bolsonarista goiano, a Câmara corrobora, com lamentável precisão, a crítica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que este é “o pior Congresso de todos os tempos”. Ao invés de ser a casa da lei, a Câmara escolheu ser a casa da impunidade

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Por 268 votos favoráveis e 167 contra, a Câmara dos Deputados suspende ação penal contra Gustavo Gayer

A decisão da Câmara dos Deputados de suspender a ação penal contra o deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO), na noite da última quarta-feira (15), representa um passo perigoso rumo ao esvaziamento da credibilidade institucional do Parlamento brasileiro.

Ao blindar um parlamentar acusado de calúnia, injúria e difamação contra outro membro do Congresso, o senador também goiano Vanderlan Cardoso (PSD), a Câmara reafirma uma vocação corporativista que a coloca frontalmente em choque com as expectativas da sociedade e com os princípios republicanos. Não se trata aqui de mero embate político ou divergência pontual.

A decisão que sustou o processo, aprovada por 268 votos a favor e 167 contra, ignora o julgamento técnico do Supremo Tribunal Federal, cuja Primeira Turma, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, já havia reconhecido a inexistência de imunidade parlamentar no caso. Moraes foi claro: as ofensas proferidas por Gayer não guardam qualquer relação com o exercício legítimo do mandato.

Ainda assim, a Câmara decidiu interromper o curso da Justiça, atuando como um escudo para proteger um aliado político de prestar contas pelos seus atos. Não surpreende, portanto, que atos como este alimentem discursos antipolítica e reforcem a narrativa de que o Congresso se tornou inimigo do povo.

Decisão da Câmara cria outra categoria de cidadãos

Ao agir assim, a Câmara cria castas dentro da República. Institui-se uma categoria de “super cidadãos” — parlamentares que, diferentemente do resto da população, podem atacar, difamar e afrontar a lei sem consequências imediatas. Trata-se de um golpe moral no artigo 5º da Constituição, que deixa de ser cláusula pétrea para tornar-se peça decorativa.

O pior: a vítima no caso é também um senador da República, o que escancara o absurdo institucional da medida. O recado é devastador: dentro do Congresso, vale tudo — até mesmo contra os próprios colegas — desde que se tenha proteção política.

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