A mais recente pesquisa Genial/Quaest reforça um dado que vem se cristalizando no cenário político brasileiro: a maioria do eleitorado quer romper com a polarização entre Lula e Bolsonaro. O levantamento revela que apenas 17% dos entrevistados consideram Lula como sua principal liderança política, enquanto apenas 12% enxergam Bolsonaro como tal.
Somados, esses dois campos ideológicos representam 29% do eleitorado — número expressivo, mas insuficiente para sustentar a narrativa de que o Brasil segue rigidamente dividido entre lulismo e bolsonarismo. Os dados mostram que há um espaço real e crescente para a emergência de uma terceira via.
A pesquisa aponta que 13% dos eleitores se identificam com a esquerda, mas não com o PT; outros 22% se dizem de direita, mas rejeitam o bolsonarismo; e ainda 33% não se alinham nem à esquerda nem à direita. Essa dispersão ideológica sugere que o eleitor médio brasileiro está mais pragmático e menos disposto a seguir lideranças personalistas ou extremadas.
No entanto, Lula e Bolsonaro têm interesse direto em manter esse cenário de antagonismo. A polarização beneficia ambos, pois os protege do desgaste mais severo que novos nomes poderiam impor.
Nesse sentido, a insistência de pré-candidatos de direita em associar-se a Bolsonaro revela-se uma estratégia míope. A pesquisa mostra que os votos da direita estão disponíveis, mas não necessariamente vinculados ao ex-presidente.