O governador Ronaldo Caiado adotou um tom de forte advertência ao alertar para o risco de um retrocesso político capaz de desmontar os avanços obtidos por sua gestão desde 2019. Em discurso contundente, Caiado recorreu a uma metáfora expressiva para ilustrar o perigo de retorno de grupos que, segundo ele, comprometeram gravemente a máquina pública no passado. Ao comparar a volta de “maus gestores” ao Estado à presença de um “cupim branco que rói até concreto”, o governador buscou reforçar a gravidade da ameaça e o potencial destrutivo de uma eventual reversão das políticas que estruturaram o atual equilíbrio fiscal e administrativo de Goiás.
“Se puser de volta em Goiás aquele cupim branco, que rói mais do que o preto… Aquilo é uma desgraça, destrói até concreto. Se voltarem com esse cupim branco para dentro do palácio, ele vai comer tudo o que fizemos em sete anos”, alertou durante discurso em encontro com a imprensa.
Caiado relembrou o cenário que encontrou ao assumir o governo: duas décadas de sucateamento, dívidas bilionárias, salários atrasados, obras abandonadas e um Estado prestes a colapsar financeiramente. A adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), articulada pela gestão, foi decisiva para reorganizar as contas e viabilizar investimentos em áreas sensíveis como saúde, educação, segurança, infraestrutura e políticas sociais. O governador tratou esses feitos como resultado de escolhas duras, mas necessárias, sustentadas por responsabilidade fiscal e capacidade de gestão. O equilíbrio alcançado, afirmou, colocou Goiás em posição inédita no país.
Segundo Caiado, Goiás vive hoje o período mais sólido de sua história recente em termos de saúde fiscal, com projeções de estabilidade para as próximas três décadas. A implementação do Propag — programa que redefine a correção da dívida com a União, substituindo a Selic pelo IPCA com juro real zero — representa, segundo ele, um ciclo de previsibilidade e ganhos estimados em R$ 26 bilhões ao longo de 30 anos. Para o governador, esse redesenho do passivo goiano reduz volatilidades e impede a retomada do sufocamento financeiro que marcou governos anteriores.
Ao reforçar que foram necessários sete anos para o Estado “voltar a respirar”, Caiado defendeu que o futuro não pode repetir os erros do passado. Nesse contexto, posicionou a continuidade administrativa como condição essencial para evitar o desmonte das conquistas recentes. Ao citar Daniel Vilela como seu sucessor natural, destacou a convivência política, a confiança construída e a participação direta do vice-governador nos momentos decisivos da gestão. A mensagem é clara: preservar o avanço exige manter o rumo. E, para Caiado, devolver o poder a quem chamou de “cupim branco” seria permitir que Goiás voltasse a ser corroído por dentro.