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Política

Cansado do radicalismo, eleitorado abre porta para nova direita em 2026

O impacto da megaoperação no Rio de Janeiro recolocou a segurança pública no centro das preocupações nacionais. Nesse contexto, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), ganhou protagonismo e ampliou sua visibilidade

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Pesquisa aponta eleitor se afastando dos extremos, o que abre caminho para reposicionamento da direita tradicional

A última pesquisa Genial Quaest, divulgada na quarta-feira (12), redesenhou o mapa das possibilidades eleitorais para 2026 e evidenciou um ponto central: a direita não bolsonarista tem hoje um caminho politicamente pavimentado para chegar ao segundo turno da disputa presidencial.

O levantamento apresenta dois elementos decisivos para compreender o novo ambiente político. O primeiro é a rejeição crescente à polarização. Nada menos que 24% dos entrevistados afirmaram que o melhor resultado para 2026 seria a vitória de um candidato que não estivesse associado nem a Lula nem a Bolsonaro.

Esse dado, por si só, sinaliza uma demanda objetiva por alternativas e cria espaço para a direita tradicional se reposicionar. O segundo ponto relevante diz respeito à autodefinição ideológica do eleitor. Enquanto 13% se declaram de direita bolsonarista, outros 22% afirmam ser de direita não bolsonarista, número quase duas vezes maior do que o contingente mais radical, o que amplia o potencial de uma candidatura moderada.

Além disso, 31% se dizem independentes, reforçando a tendência de exaustão da polarização. No outro polo, 18% se identificam como lulistas, e 15% como esquerda não lulista. Esse conjunto de dados sugere que um nome da direita tradicional, ainda que não herde o capital político de Jair Bolsonaro (PL), pode chegar ao segundo turno com competitividade real.

O desgaste do ex-presidente e, mais recentemente, a repercussão negativa das ações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos contribuíram para deteriorar a imagem da extrema-direita, reforçando o movimento de busca por alternativas.

Caiado ganha protagonismo

O impacto da megaoperação no Rio de Janeiro recolocou a segurança pública no centro das preocupações nacionais. Nesse contexto, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), ganhou protagonismo e ampliou sua visibilidade.

A própria Quaest mostra esse avanço: em outubro, Caiado aparecia 15 pontos atrás de Lula em um cenário de segundo turno; agora, a diferença caiu para 7 pontos: 42% para Lula e 35% para Caiado. Nos últimos dias, o governador goiano foi a voz da oposição nas discussões pela melhoria da segurança pública no país.

Condições de romper a polarização

Embora ainda seja desconhecido por 51% do eleitorado, segundo a pesquisa, o cenário nacional revela um Caiado em ascensão, sustentado pelos resultados de sua gestão em Goiás, especialmente na área de segurança pública.

Se a tendência se mantiver, a direita tradicional poderá ter, em Caiado, um candidato competitivo e com condições concretas de romper a polarização e disputar o Planalto com força.

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