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Política

Comandado em Goiás por aliado de Marconi Perillo, Iphan barra construção do Cavalhódromo de Pirenópolis

Projeto que contempla o novo espaço para realização das tradicionais cavalhadas de Pirenópolis foi elaborado pela Secult e pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), mas, por negativa do órgão federal, obras foram paralisadas

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Gilvane Felipe, ex-secretário de Marconi Perillo, está à frente do Iphan em Goiás desde junho do ano passado

Comandando em Goiás por Gilvane Felipe, aliado e ex-secretário do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) negou à Prefeitura de Pirenópolis autorização para que o município liberasse o alvará  para a construção do novo Cavalhódromo da cidade, espaço que abriga as tradicionais cavalhadas da cidade histórica. O órgão, com base em uma portaria de quase 30 anos (nº 02/1995), alega restrições de altura e ocupação, incompatíveis com qualquer projeto moderno de infraestrutura.

O projeto do novo Cavalhódromo já está pronto, elaborado pela Secult e pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinfra), que também concluiu a demolição da antiga estrutura. No entanto, sem o aval do Iphan, a Prefeitura de Pirenópolis não pode liberar o alvará de construção, o que impede a licitação e o início das obras. A previsão de revisão da portaria federal é apenas para 2026, o que pode adiar a construção por anos.

Nos bastidores da política goiana, a negativa do Iphan para o projeto é vista como manobras políticas e atos de revanche, sobretudo pela ligação do atual superintendente do órgão em Goiás com o seu aliado Marconi Perillo. O ex-governador, que atualmente preside o PSDB nacional, tem enfrentado um processo de desgaste político após duas derrotas consecutivas nas disputas para o Senado Federal, em 2018 e 2022. Agora, segundo governistas, tenta a qualquer custo criar obstáculos ao andamento de obras públicas que impactam diretamente a vida da população goiana, numa estratégia de se manter em evidência.

As suspeitas de retaliação política do tucano encontrariam respaldo, segundo palacianos, em episódios recentes. Em 2023, o tucano acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para tentar anular o Termo de Colaboração entre o Governo de Goiás e a Fundação Pio XII, responsável pelas obras do Complexo Oncológico de Referência (CORA), hospital que já está em funcionamento e atende crianças com câncer. A investida não teve efeito, mas atrasou os trâmites do projeto.

Em julho de 2022, Marconi Perillo também foi ao Ministério Público Federal (MPF) para impedir um repasse de R$ 14 milhões do Governo de Goiás para equipar o Hospital de Palmeiras de Goiás, sua terra natal. Na época, o prefeito da cidade, ex-aliado tucano, Vando Vitor, disse que a atitude de Marconi era “puro ciúme eleitoral”, e que prejudicava sobremaneira a população do município.

Gilvane Felipe, hoje no Cidadania, foi secretário de Cultura do Estado no terceiro mandato de Marconi Perillo (2011-2014). Em julho do ano passado, o governador Ronaldo Caiado acusou “perseguição política”, depois que o Iphan aplicou multa ao governo estadual, alegando irregularidades na restauração da Capela de São João Batista, no antigo Arraial do Ferreiro, conhecida como Igreja do Ferreiro.

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