O apelo eleitoral de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo pode ser compreendido à luz de três conceitos fundamentais da psicologia social: dissonância cognitiva, conformidade social e viés de confirmação. Esses fenômenos ajudam a entender por que uma parcela significativa da população mantém apoio fiel ao ex-presidente, mesmo diante de evidências contundentes que contradizem suas falas e ações.
A dissonância cognitiva, conceito proposto por Leon Festinger, refere-se ao desconforto gerado quando crenças e comportamentos entram em conflito. Muitos eleitores que apoiaram Bolsonaro em 2018, ao se depararem com escândalos, falas antidemocráticas ou má gestão, passaram a racionalizar essas incoerências como forma de preservar a autoestima e justificar o voto. Em vez de admitir o erro, adotam narrativas que atenuam ou negam os problemas.
Já a conformidade social, como demonstrado nos estudos de Solomon Asch, ajuda a explicar o comportamento de bolhas ideológicas, especialmente nas redes sociais. O medo do isolamento e a necessidade de pertencimento incentivam indivíduos a seguirem a maioria de seu grupo, mesmo que em desacordo com a realidade factual. Isso reforça a coesão entre bolsonaristas e cria um ambiente de autoafirmação coletiva.
Narrativa simplificada, emocional e maniqueísta
Por fim, o viés de confirmação leva os apoiadores a buscarem apenas informações que corroborem suas crenças, ignorando ou desqualificando fatos contrários. O bolsonarismo soube explorar esse viés com maestria, oferecendo uma narrativa simplificada, emocional e maniqueísta, que dispensa complexidade e se ancora em símbolos patrióticos, religiosos e antissistêmicos.
Isso vai passar?
Por ser um movimento que mistura ideologia, identidade social e crença emocional, o enfraquecimento do bolsonarismo, segundo estudiosos, depende de uma combinação de fatores políticos, sociais e psicológicos, como o desgaste do próprio Bolsonaro ou o surgimento de um novo líder ou projeto político que dialogue com o eleitor conservador.