O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), tem buscado marcar distância do modelo herdado da gestão Rogério Cruz (SD), mas sua retórica contra “alguns vereadores” escancara um problema que continua corroendo a política goianiense: o fisiologismo. Se antes os parlamentares eram apelidados de “prefeitinhos”, agora são os “bezerrões”, na crítica mordaz de Mabel, verbalizada em entrevista ao Jornal Opção.
A mudança de rótulo, contudo, não altera a realidade de fundo: Sandro Mabel continua enfrentando dificuldades de governabilidade, ao mesmo tempo que busca dar uma identidade para sua gestão na capital.
Com oito meses de mandato, o prefeito ainda não conseguiu estabelecer uma base sólida, fato evidenciado por derrotas expressivas, como a revogação da taxa do lixo – matéria já aprovada em primeira votação – que minaram sua autoridade política.
A instalação da CEI da Limpa Gyn e a briga pública com o vereador Igor Franco (MDB), que foi seu próprio líder na Câmara, reforçam o cenário de fragilidade institucional. As críticas de Mabel a alguns vereadores, como ele sugere, embora tenha eco político, revela também sua incapacidade de transformar a correlação de forças no Legislativo em agenda administrativa consistente.
Mabel insiste que o rombo de R$ 5,3 bilhões, somado a R$ 400 milhões em precatórios, que ele herdou da gestão de Rogério Cruz foi causado, também, pelo “apetite dos bezerrões”. “Não foi culpa só do prefeito anterior; o problema é que ele [Rogério Cruz] foi abrindo espaço para todos os vereadores, e eles fizeram uma festa na Prefeitura. Só que a conta ficou para alguém pagar — ficou pra mim”, explicou.