A inesperada desfiliação de Ana Paula Rezende do MDB para ingressar no PL goiano, onde deve compor como vice na chapa de Wilder Morais, provocou forte reação política do vice-governador Daniel Vilela (MDB). Prestes a assumir o comando do Palácio das Esmeraldas, o que deve ocorrer até o fim de março, com a saída de Ronaldo Caiado (PSD), e disposto a disputar a reeleição em outubro, Daniel tratou de reposicionar o debate: lembrou que o atual projeto de poder do MDB em Goiás não nasceu do acaso, mas da estratégia concebida por Iris Rezende ainda em 2021.
Em entrevista ao jornal O Popular, Daniel lembra que foi em maio daquele ano, no escritório de Iris, que se selou o caminho que o conduziria à vice-governadoria. À época inclinado a disputar o Senado em 2022, Daniel afirma ter sido demovido da ideia pelo próprio Iris, que, com sua experiência e leitura de cenário, sustentou que o melhor para o MDB seria integrar a chapa de Caiado. A avaliação era clara: ocupar a vice significava recolocar o partido no centro do poder estadual e pavimentar, com responsabilidade, o retorno ao protagonismo.
Daniel faz questão de sublinhar que essa decisão estratégica ocorreu às vistas de Ana Paula Rezende. “Foi ele quem construiu e determinou”, recorda, ao enfatizar que a aliança com Caiado já vislumbrava o futuro, inclusive a possibilidade concreta de o MDB voltar a governar Goiás. Ao rememorar o episódio, o vice-governador não apenas reivindica a herança política de Iris, como reforça a legitimidade de sua própria candidatura à continuidade do projeto.
Ao classificar a saída de Ana Paula como incoerente e impensada, Daniel transforma a divergência em disputa simbólica: de um lado, a fidelidade ao plano traçado por Iris; de outro, a ruptura com a estratégia que reposicionou o MDB no tabuleiro goiano. Para o emedebista, o futuro do partido, que foi pensado por Iris, depende exatamente do respeito à decisão por ele tomada lá em 2021.
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