A megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes e se consolidou como a mais letal da história do país, reacendeu na direita brasileira um discurso que, embora maximizado principalmente pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), vinha sendo relegado a segundo plano: o da segurança pública como eixo central da política.
Com ampla aprovação popular — 64% dos fluminenses, segundo pesquisa Genial Quaest —, a operação ofereceu ao campo conservador um novo fôlego e um argumento poderoso para se reposicionar na disputa presidencial de 2026. Após meses de inércia e desgaste, a direita volta a enxergar uma pauta capaz de mobilizar a opinião pública e reconectar-se com o eleitorado que vinha migrando, aos poucos, para o lulismo pragmático.
O tema da segurança devolve à direita a retórica do enfrentamento e da força, substituindo o discurso moralista e desgastado do “antipetismo” por um apelo emocional e cotidiano: o medo. Diante do aumento da criminalidade e do domínio de facções, figuras conservadoras passaram a culpar o governo federal por omissão, associando a escalada da violência à suposta fragilidade das políticas sociais do PT.
Assim, o episódio no Rio de Janeiro se tornou um divisor de águas — e, paradoxalmente, uma oportunidade política para quem vinha sem rumo após o fiasco diplomático de Eduardo Bolsonaro nos EUA, que resultou em prejuízos econômicos e desgaste para o bolsonarismo.
Estado social ou Estado policial?
O governo Lula, atento à movimentação, reagiu rapidamente. Sancionou leis que ampliam penas para crimes de facções, enviou projetos para integrar forças policiais e cobrou do Congresso a aprovação da PEC da Segurança Pública, que cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
A disputa eleitoral de 2026, portanto, tende a se travar em torno de um dilema moral e estratégico: o país quer mais Estado social ou mais Estado policial?