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Política

Discurso calculado: Antônio Gomide poupa Marconi e reacende especulações sobre aliança

Embora a presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, negue conversas abertas e sustente a tese de candidatura própria, a leitura governista é de que a esquerda ainda nutre expectativa de uma composição com o PSDB

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Deputado Antônio Gomide discursou pela oposição na abertura dos trabalhos legislativos 2026

Na solenidade de instalação da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 20ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Goiás, na última quarta-feira (18), o discurso do deputado estadual Antônio Gomide (PT) soou além do protocolo. Diante do governador Ronaldo Caiado (PSD), do vice Daniel Vilela (MDB) e de chefes de Poderes, o petista adotou tom que, para aliados da base, levantou suspeitas: haveria um aceno ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB) mirando as eleições de outubro?

A desconfiança nasce menos pelo que foi dito e mais pelo que deixou de ser dito. Ao criticar a atual gestão, Gomide (foto) evitou revisitar fatos amplamente conhecidos sobre o legado fiscal tucano. Não mencionou, por exemplo, o rombo auditado pela área técnica do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCEGO) que apontou déficit de caixa de quase R$ 6,5 bilhões ao fim de 2018.

Tampouco aprofundou o impacto da venda da Celg, em 2016, operação que gerou prejuízo superior a R$ 7 bilhões aos cofres estaduais. Ao lançar dúvidas sobre a narrativa da “herança maldita”, o parlamentar relativizou dados que embasaram, nos últimos anos, o discurso de reconstrução fiscal do atual governo.

Caiado reagiu no próprio plenário. Lembrou ter assumido o Estado com apenas R$ 11 milhões em caixa e dívidas acumuladas superiores a R$ 6,4 bilhões. Corrigiu também números apresentados pelo petista sobre o endividamento do Estado: segundo o governador, a dívida consolidada bruta caiu de 93% para cerca de 62% da Receita Corrente Líquida, enquanto a dívida consolidada líquida, hoje em torno de 32% da RCL, seria a menor da história recente.

Ao contrário do cenário que recebeu, Caiado prometeu que entregará o governo a Daniel Vilela com uma robusta disponibilidade de caixa, estimada em mais ou menos R$ 9,8 bilhões.

Expectativa de aliança PT x PSDB

Nos bastidores, palacianos interpretaram o discurso de Gomide como ensaio calculado para não desgastar Marconi. Embora a presidente estadual do PT, deputada federal Adriana Accorsi, negue conversas abertas e sustente a tese de candidatura própria, a leitura governista é de que a esquerda ainda nutre expectativa de uma composição com o PSDB.

Isolado e com poucas alternativas competitivas, o grupo marconista poderia ver na aliança com o PT uma tábua de sobrevivência para enfrentar uma robusta candidatura à reeleição de Daniel Vilela. Se é estratégia ou coincidência retórica, o tempo — e as articulações — dirão.

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