A fala do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ao responder nas redes sociais que “é só matar os outros 120” diante de uma postagem que criticava a ineficácia da política de extermínio no combate ao narcotráfico, em alusão à megaoperação policial ocorrida no Rio de Janeiro, que deixou mais de 130 mortos, revela mais do que uma provocação de cunho ideológico: expõe a banalização da morte e a naturalização da violência como solução para problemas sociais complexos.
Ao sugerir que o Estado deva eliminar fisicamente todos aqueles considerados “bandidos”, o parlamentar desconsidera princípios básicos do Estado Democrático de Direito, como o devido processo legal e a presunção de inocência, pilares que garantem a civilidade e a justiça em qualquer sociedade moderna.
Esse tipo de discurso, proferido por uma autoridade pública, é perigoso porque estimula o ódio e legitima a violência institucional, abrindo espaço para a barbárie e para execuções extrajudiciais travestidas de política de segurança. O Brasil já convive com um dos maiores índices de letalidade policial do mundo, com milhares de mortes anuais em operações que atingem, em sua maioria, jovens negros e pobres das periferias.
Ao ecoar frases que defendem o extermínio, o deputado não apenas despreza a vida humana, mas também alimenta uma cultura de vingança e de desumanização que corrói o tecido social e afasta o país de soluções efetivas.
Combater o tráfico de drogas exige políticas públicas estruturantes, que envolvam educação, inclusão social, inteligência policial e reformas no sistema prisional — não discursos que incentivam o assassinato. Ao reduzir o debate à eliminação física do “inimigo”, o parlamentar reforça o populismo punitivista e enfraquece o compromisso com a justiça e com os direitos humanos.
Em vez de propor caminhos para reduzir a violência, Nikolas Ferreira ajuda a perpetuá-la, transformando o ódio em estratégia política e a barbárie em retórica eleitoral.
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