Entre em contato

Política

Fim do foro privilegiado: quando a luta contra privilégios vira escudo político

Para o deputado José Nelto, que se diz um defensor histórico do fim do foro privilegiado, não há dúvidas de que a retomada da tramitação da PEC 333, oriunda do Senado Federal, carrega um forte componente de oportunismo e conveniência

Publicado

on

Bancada bolsonarista na Câmara dos Deputados pressiona o presidente da Casa, Hugo Mota, para pautar fim do foro privilegiado

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 333, apresentada em 2017 e atualmente em tramitação na Câmara, extingue o foro especial por prerrogativa de função para crimes comuns, revogando inclusive o privilégio de deputados e senadores. Na essência, responde a uma antiga demanda popular: tornar efetiva a máxima constitucional de que todos são iguais perante a lei.

No Brasil, quase 55 mil autoridades gozam de algum tipo de foro especial. Contudo, o súbito resgate da matéria pela oposição revela mais cálculo político que compromisso republicano. Num cenário em que Jair Bolsonaro e outros 30 réus respondem no STF por tentativa de golpe e crimes correlatos, a pauta ganha contornos de manobra para deslocar processos e, possivelmente, blindar o ex-presidente de uma condenação célere.

Essa estratégia deturpa a motivação original da PEC, que visava combater privilégios e garantir celeridade judicial, não criar atalhos processuais para interesses momentâneos. Para o deputado federal José Nelto (União-GO), o interesse dos oposicionistas é evitar eventual julgamento no Supremo Tribunal Federal. “Querem aprovar para tirar da cadeia deputados corruptos e golpistas. Meu voto não vai servir para dar liberdade a eles agora”, afirma.

A instrumentalização de uma reforma estrutural dessa envergadura para proteger figuras específicas fragiliza sua legitimidade e ameaça transformar uma conquista republicana em mero expediente de conveniência política.

Copyright © 2020 - Nos Opinando - Liberdade de opinião em primeiro lugar.