A nota divulgada pelo ex-presidente americano Donald Trump, em defesa de Jair Bolsonaro (PL), acusado de tentar dar um golpe de Estado no Brasil, revela uma indevida e perigosa tentativa de interferência no sistema judiciário brasileiro. O gesto, carregado de viés ideológico, pode acabar surtindo o efeito contrário ao desejado pelo bolsonarismo: conter a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, mais que isso, recolocá-lo na trilha da reeleição.
Ao atacar o Supremo Tribunal Federal e se posicionar contra uma investigação legítima conduzida por uma corte soberana, Trump afronta a institucionalidade do Brasil e reacende entre muitos brasileiros o sentimento de defesa da democracia e do princípio da não intervenção estrangeira.
Para analistas, a manifestação de Trump pode funcionar como um impulso involuntário à imagem de Lula, reforçando sua posição como fiador das instituições e da soberania nacional. O presidente brasileiro reagiu com firmeza, classificando como “inaceitável e ofensiva” a tentativa de politização de um processo judicial em curso.
A nota de repúdio divulgada pelo Planalto mostra um governo atento e disposto a enfrentar qualquer ameaça, interna ou externa, à estabilidade democrática. O episódio tende a mobilizar o centro político e segmentos moderados da sociedade, que rejeitam aventuras autoritárias e ingerências externas.
Trump se tornou um verdadeiro anticabo eleitoral
Não é a primeira vez que Trump se coloca contra regimes democráticos. Suas declarações intempestivas já causaram danos políticos a aliados na França, no México e no Canadá, onde seus comentários geraram repúdio popular e enfraqueceram lideranças próximas ao americano.
A recorrente tentativa de usar o prestígio internacional em favor de pautas conservadoras extremadas tem surtido efeito deletério. Trump se consolida, assim, como um verdadeiro “anticabo eleitoral”, cuja retórica tende a afastar mais do que aproximar eleitores.