Iris Rezende Machado ocupa um lugar central na arquitetura política que sustenta a aliança entre o governador Ronaldo Caiado (União) e o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Mais do que um líder histórico, o emedebista foi o estrategista silencioso que compreendeu, antes de muitos, que o futuro da governabilidade em Goiás passaria pela recomposição de forças tradicionais, capazes de dialogar com a sociedade e oferecer estabilidade política. Sua atuação, discreta e firme, foi decisiva para reconstruir pontes e agregar valores à política goiana.
Do alto de sua experiência e profundo conhecedor dos meandros da política, Iris tinha convicção de que o MDB, guiado por Daniel Vilela, voltaria ao protagonismo no Estado. Após deixar a Prefeitura de Goiânia e anunciar a aposentadoria da vida pública, ao final de 2020, Iris transformou-se numa espécie de conselheiro informal de Caiado. Os dois mantinham contato frequente, em conversas longas e cafés regulares, nos quais o ex-prefeito avaliava cenários, alertava para riscos e indicava caminhos. Dessa relação de confiança nasceu a retomada do projeto de aliança entre o MDB e o então DEM — união que poderia ter ocorrido em 2018, mas que só amadureceria no momento certo.
Daniel Vilela relata que as primeiras conversas sobre uma possível aliança começaram no início de 2021, logo após sua saída da gestão municipal. A ideia inicial era amadurecer o diálogo com cautela e anunciar qualquer decisão apenas em 2022. Mas Iris, com seu faro político apurado, surpreendeu. Em maio daquele ano, chamou Daniel e foi direto: era hora de acelerar, iniciar imediatamente as tratativas com Ronaldo Caiado e fechar o acordo. O tempo, dizia ele, já havia se encarregado de alinhar os interesses.
O movimento foi rápido e cirúrgico. As principais lideranças do MDB foram ouvidas, as resistências internas contornadas e, em setembro de 2021, a aliança foi oficialmente celebrada. O resultado se mostrou vitorioso: a composição recolocou o MDB no centro da política goiana e pavimentou o caminho para a reeleição de Caiado em primeiro turno e para a consolidação de Daniel Vilela como herdeiro político natural do projeto governista.
Iris Rezende não viveu para celebrar nas urnas aquilo que ajudou a construir nos bastidores, mas foi sábio o suficiente para prever o desfecho. Em novembro de 2020, ao ser homenageado pelo governador, vaticinou com segurança: “Posso proclamar, sem medo de errar, que Goiás está orgulhoso de vossa excelência”. Estava certo sobre Caiado. E também sobre o futuro de Daniel. A parceria entre ambos, por ele idealizada e conduzida, pode recolocar o MDB no topo do poder em 2027 — um legado que reafirma Iris Rezende como um dos mais lúcidos arquitetos da política goiana.