Em meio a um ambiente político cada vez mais tenso, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), se vê obrigado a assumir pessoalmente a articulação com a Câmara Municipal, diante da crescente insatisfação de sua própria base aliada.
A reunião realizada nesta quarta-feira (2), com 26 dos 35 vereadores, é um gesto claro de que o prefeito tenta recompor pontes com o Legislativo, que vem impondo derrotas ao Paço e reivindicando mais protagonismo nas decisões que impactam diretamente a cidade.
O argumento oficial de “alinhar projetos” que serão enviados à Câmara esconde um cenário mais delicado: a relação entre o Executivo e o Legislativo municipal entrou em zona de turbulência. A base do prefeito, que deveria lhe dar sustentação, cobra respeito e mais espaço nas decisões.
Parlamentares têm se queixado, nos bastidores e publicamente, da postura autoritária e da falta de diálogo de membros do primeiro escalão da gestão, o que tem minado a confiança política e alimentado o clima de rebelião. Essa crise de relacionamento acende um alerta sobre a condução política de Mabel, que, até aqui, delegou a articulação a auxiliares que não obtiveram sucesso no trato com os vereadores.
A consequência tem sido a perda de controle sobre a pauta legislativa e o acúmulo de desgastes que podem comprometer a governabilidade. A Câmara tem dado sinais nítidos de que não aceitará mais ser mero carimbador das vontades do Executivo.