As manifestações realizadas no último domingo (21), em mais de 30 cidades brasileiras, representam um divisor de águas no debate político nacional. Contra a PEC da Blindagem, já aprovada pela Câmara, e contra o projeto de anistia em discussão no Congresso, milhares de pessoas ocuparam ruas e praças em um recado inequívoco à classe política e, sobretudo, à narrativa da extrema-direita.
Ao contrário do que o bolsonarismo insiste em repetir — de que teria o monopólio das ruas —, a mobilização popular deste fim de semana desmonta essa falácia e reafirma que a sociedade brasileira não está disposta a aceitar retrocessos institucionais e afrontas ao Estado Democrático de Direito.
Tanto em São Paulo, como no Rio de Janeiro, os atos reuniram mais pessoas do que o último grande movimento bolsonarista, realizado em 7 de setembro, o que por si só é simbólico. Trata-se de uma virada de página, em que o anti-bolsonarismo se consolida não apenas como um sentimento difuso, mas como força política organizada, capaz de disputar espaço público e simbólico com a direita radical.
O discurso de que só Bolsonaro mobiliza massas cai por terra diante de imagens de avenidas tomadas por manifestantes que rechaçam tanto a tentativa de blindagem de parlamentares quanto a tentativa de perdoar crimes cometidos em nome da política.
Bolsonarismo abusou da incoerência e das pautas antinacionalistas
Para analistas políticos, o bolsonarismo, que nasceu ancorado pelo discurso nacionalista, vem abusando da incoerência e menosprezando a inteligência mínima de seus seguidores.
A defesa enfática das pautas anti patrióticas, como o tarifaço de Donald Trump e o lobby lesa-pátria de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA – que atinge em cheio trabalhadores e o setor produtivo aqui no Brasil – tem sido demais até mesmo para os mais sectários bolsonaristas.
Não há dissonância cognitiva que seja capaz de sustentar a esdrúxula narrativa propagada pela extrema-direita, que implica na concessão de benesses a deputados e senadores, além da submissão total do Brasil a uma nação estrangeira, dizem os especialistas.