O esforço de Marconi Perillo (PSDB), pré-candidato ao governo de Goiás, para se reposicionar no debate político goiano, agora como voz de oposição, esbarra em um obstáculo central: o próprio legado administrativo deixado por seus mandatos à frente do Executivo estadual. Trata-se menos de uma disputa narrativa e mais de uma dificuldade objetiva de construir um discurso crítico contra um governo que se notabilizou justamente por enfrentar problemas herdados de suas gestões, especialmente nas áreas de equilíbrio fiscal e segurança pública.
No campo fiscal, a avaliação técnica amplamente difundida à época do encerramento de seus governos apontava para um Estado pressionado por déficits, endividamento elevado e restrições severas de capacidade de investimento. A deterioração das contas públicas limitou políticas estruturantes e reduziu a margem de manobra administrativa.
Esses dados, de domínio público, tornaram-se referência para explicar o ponto de partida do governo de Ronaldo Caiado (PSD), que adotou medidas de ajuste e reorganização financeira. Nesse contexto, qualquer crítica atual à condução fiscal precisa, inevitavelmente, dialogar com o cenário que Marconi ajudou a construir.
A segurança pública constitui um desafio ainda mais sensível para a narrativa tucana. Indicadores oficiais e estudos independentes registraram, durante os mandatos de Marconi Perillo, um crescimento expressivo da violência letal, além da expansão de crimes patrimoniais e ataques a instituições financeiras.
Goiânia chegou a figurar em rankings internacionais de violência urbana como uma das cidades mais violentas do mundo, fato amplamente repercutido pela imprensa nacional. As respostas institucionais adotadas à época — algumas posteriormente questionadas no Judiciário, como a criação do famigerado Simve — não foram suficientes para reverter o quadro, o que consolidou uma percepção de fragilidade do Estado na proteção da população.
Discurso contraditório
É justamente nesse ponto que o discurso oposicionista encontra sua maior contradição. O governo atual construiu sua principal marca política na reversão dos indicadores negativos, com queda consistente de homicídios, enfrentamento a organizações criminosas, reorganização das forças de segurança e reequilíbrio fiscal.
Ao criticar esse modelo, Marconi é compelido a explicar por que problemas que se agravaram sob sua gestão, como a criminalidade, por exemplo, passaram a apresentar resultados diferentes na administração de Caiado.