A declaração de Marconi Perillo (PSDB), ao afirmar que Iris Rezende Machado foi um de seus “professores”, causa estranheza e tensão no ambiente político goiano. A fala, replicada na coluna Giro, do Jornal O Popular, improvável para quem passou mais de duas décadas polarizando com o MDB e com o próprio Iris, soa como um movimento calculado, sobretudo quando o tucano diz que ninguém precisa deixar de ser “irista” para caminhar com ele. Ao enaltecer o “irismo” como uma força viva da história goiana, Marconi tenta se posicionar como herdeiro de um legado que nunca integrou — e do qual foi, reiteradamente, antagonista.
Para emedebistas, a manifestação merece firme repúdio. A relação entre Iris e Marconi sempre esteve marcada por embates duros, conflitos públicos e uma distância política intransponível, sustentada por profundas diferenças de comportamento e de concepção de governo. Basta lembrar que, em um dos episódios mais tensos entre ambos, Marconi acusou o decano emedebista de enriquecimento ilícito, dando origem a uma investigação do Ministério Público que se arrastou por seis anos e terminou arquivada por absoluta falta de indícios. Não há, portanto, qualquer base histórica que permita supor convergência entre os dois — muito menos uma relação de “aprendizado” que o tucano agora tenta insinuar.
Para aqueles que caminharam com Iris Rezende, o gesto de Marconi não passa de oportunismo político. O tucano busca colher o bônus simbólico de associar sua imagem a um líder que goza de enorme respeito, tentando capturar parte de um capital histórico que jamais lhe pertenceu. Na prática, trata-se de mais uma manobra de narrativa num momento em que Marconi tenta reconstruir espaço e relevância. Ao elogiar o legado de Iris, ele não presta homenagem: apenas instrumentaliza uma trajetória que sempre tentou neutralizar, especialmente durante os anos em que se dedicou a enfraquecer a oposição liderada pelo emedebista, avaliam os verdadeiros aliados de Iris Rezende.