Uma possível aliança entre o PT e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) em Goiás, possibilidade que vem sendo cogitada por lideranças petistas, tende a gerar mais desgastes do que benefícios eleitorais para ambas as partes, especialmente no cenário de 2026. É o que avaliam analistas ouvidos pela coluna.
O PT, no estado, tevei uma média de votos nas três últimas eleições estaduais de pouco mais de 8%, e tem uma alta rejeição decorrente de escândalos nacionais, como o Mensalão e o Petrolão, além da impopularidade crescente do presidente Lula.
Essas questões colocam o partido em um cenário delicado, com pouca capacidade de expansão, e poderia, segundo esses especialistas, perder ainda mais a coerência do seu discurso em defesa das políticas de esquerda, caso se una ao PSDB, que hoje busca desesperadamente uma forma de evitar a extinção, ao mesmo tempo que prioriza o discurso mais conservador.
Por outro lado, Marconi Perillo, o principal nome do PSDB goiano e aspirante a candidato ao governo em 2026, carrega um passivo político considerável. Seus mandatos são marcados pela deterioração das contas públicas, e os escândalos de corrupção ainda pesam sobre sua imagem. Em Goiás, ele é visto como um dos políticos mais rejeitados, o que dificulta sua viabilidade em 2026, sobretudo no que diz respeito a uma eleição majoritária.
Ademais, o governo de Ronaldo Caiado (UB) segue com uma alta aprovação (86%, segundo a Quaest), o que reduz significativamente o espaço para um discurso oposicionista efetivo.
Movimento arriscado
Nesse contexto, uma aliança PT-Marconi Perillo não só uniria duas figuras com grande rejeição em Goiás, como também criaria dificuldades para um confronto direto com o favorito da situação, o vice-governador Daniel Vilela (MDB), que deve concorrer à reeleição com o discurso de continuidade do vitorioso governo Caiado.
Assim, a estratégia do PT e PSDB, de formar essa aliança em Goiás, mesmo que superados os entraves ideológicos para a sua consumação, seria um movimento arriscado, muito mais capaz de aumentar a rejeição de ambos do que uma forma eficaz de ampliar a base eleitoral para as próximas eleições.
PSDB busca fusão para evitar extinção
Com risco iminente de não cumprir a cláusula de barreira, o PSDB de Marconi Perillo busca entabular uma fusão com outro partido, a fim de evitar a extinção da sigla. Com apenas 13 deputados na Câmara e três cadeiras no Senado, o PSDB tem avançado nas conversas com o Podemos, e, segundo o presidente da sigla, há uma boa chance do acordo se concretizar.
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