Em meio a cobranças por ações mais efetivas para o pleito de 2026, o presidente estadual do PL, senador Wilder Morais, anunciou sua pré-candidatura ao governo de Goiás. Segundo o próprio parlamentar, a decisão atende ao apelo de correligionários que o pressionavam a assumir uma posição clara na disputa majoritária.
O anúncio ocorreu durante reunião com aliados — entre eles o deputado federal Gustavo Gayer, pré-candidato ao Senado — e teve também o objetivo estratégico de fortalecer a formação das chapas proporcionais. A movimentação de Wilder surge num momento delicado para o PL em Goiás, que enfrenta um visível esvaziamento.
O partido, que elegeu 26 prefeitos nas eleições municipais do ano passado, hoje conta com apenas 14 gestores, e dois deles já articulam migração para a base do governador Ronaldo Caiado (União).
Nas bancadas federal e estadual da legenda, o cenário não é diferente: os deputados Daniel Agrobom e Paulo Cezar Martins já declararam apoio ao projeto de reeleição do vice-governador Daniel Vilela (MDB), reforçando a percepção de dispersão interna.
Embora Wilder descarte qualquer possibilidade de aliança com o governo estadual, seu gesto não encerra a discussão sobre o futuro da legenda. Isso porque a palavra final sobre o destino do PL, tanto em Goiás quanto no cenário nacional, pertence ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro mira o Senado
Mesmo às voltas com potenciais desdobramentos judiciais e sob risco concreto de prisão, Jair Bolsonaro ainda controla firmemente o PL e já reiterou que sua prioridade é a composição do Senado, onde mira conquistar maioria para, entre outros objetivos, viabilizar um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Assim, a pré-candidatura de Wilder até atende às demandas internas, mas não define, por si só, o caminho que o PL trilhará no Estado. O xadrez político permanece aberto — e dependente das decisões do seu líder máximo.