O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), dá sinais claros de que sentiu o peso da ofensiva da Câmara Municipal, em meio à disputa contra o que parte da população identifica como fisiologismo de vereadores.
Mabel assumiu disposto a romper a lógica de submissão do Paço aos interesses da Casa, afirmando que não cederia a chantagens e que não abriria espaço para a prática dos chamados “prefeitinhos” – expressão cunhada pelo ex-secretário de Governo de Rogério Cruz, usada para designar vereadores que exerciam poder desproporcional dentro da administração.
A postura de enfrentamento de Mabel, no entanto, desencadeou forte reação. Em resposta, os vereadores recorreram a expedientes de impacto político, como a criação da CEI para investigar o contrato com a LimpaGyn e a revogação da taxa do lixo, medida aprovada em 2024 e que passou a vigorar em julho deste ano.
Os movimentos revelaram a estratégia de asfixiar a gestão, expondo o prefeito a desgastes e obrigando-o a recuar. O sinal mais evidente foi a reintegração, por ordem do próprio Mabel, de parentes de vereadores que haviam sido exonerados – uma demonstração de que o prefeito sentiu o “golpe” e percebeu não dispor de força suficiente para bancar a ruptura.
Na avaliação de analistas políticos, o recuo de Sandro Mabel representa mais do que uma derrota circunstancial: é sintoma de fragilidade política e de que parte dos vereadores, pautada pelo apetite por cargos e espaços, segue ditando o ritmo da administração municipal.
Quem perde não é apenas o prefeito, mas, sobretudo, a população goianiense, que se vê refém de uma disputa centrada em interesses pessoais e alheia às reais demandas da cidade.