O pronunciamento recente do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), divulgado nas suas redes sociais, evidencia uma mudança de postura política que vai além do discurso administrativo. Ao defender em vídeo a necessidade de “mudanças necessárias” e justificar eventuais impopularidades de sua gestão, Mabel tenta construir uma narrativa de aproximação com a população.
De acordo com especialistas, essa é uma estratégia de sobrevivência política de Mabel: o prefeito enfrenta desgaste público e pressão crescente da Câmara Municipal, onde acumula derrotas significativas, especialmente em pautas essenciais da administração. É uma iniciativa válida, porque, para vencer a pressão política, Mabel precisa do povo ao seu lado.
Entretanto, após nove meses no comando da Prefeitura, Mabel ainda não conseguiu traduzir sua promessa de gestão eficiente em resultados concretos aos olhos da população. O discurso de que está organizando a casa e corrigindo erros herdados de administrações anteriores já não surte o mesmo efeito. A percepção majoritária é de estagnação.
A retórica de ajustes, nesse sentido, perde força quando os resultados não alcançam a vida do cidadão comum. Paralelamente, a relação do prefeito com o Legislativo goianiense se deteriorou rapidamente. Parte expressiva dos vereadores passou a adotar uma postura de enfrentamento e cobrança dura ao Paço Municipal, criticando desde a condução política até a falta de diálogo real com a base.
A dificuldade política de Mabel no parlamento tem sido tão evidente que ele já sofreu derrotas importantes que fragilizaram sua autoridade e colocaram em xeque sua articulação política.
Mabel age para reagrupar sua base na Câmara
Depois de sofrer duros revés na Câmara Municipal, que culminaram com a instalação da CEI da Limpa Gyn e a derrota, em primeira votação, no PL que trata da extinção da Taxa do Lixo, Mabel conseguiu uma vitória maiúscula no plenário, que manteve o estado de calamidade financeira da Prefeitura. O atual líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa, diz que foram feitos alinhamentos importantes, que garantem até 21 votos em plenário.