A difícil missão do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), de pacificar sua base na Câmara Municipal tem se mostrado um desafio cada vez mais árduo. A instabilidade política que marca sua relação com os vereadores atinge novo patamar com a iminente criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o contrato firmado entre o município e o Consórcio LimpaGyn, ainda na gestão de Rogério Cruz (Solidariedade).
Pressionado até mesmo pelo seu líder na Casa, o vereador Igor Franco (MDB), Mabel tenta conter o avanço da proposta, temendo que uma eventual apuração de irregularidades na administração anterior acabe respingando em sua própria gestão — tanto do ponto de vista político quanto administrativo.
Além do desgaste natural que uma CEI provoca, o prefeito sabe que o foco da Câmara em investigações pode travar votações cruciais para a cidade, atrasando a tramitação de projetos estratégicos. Desde o início de sua gestão, a relação entre o Paço e os parlamentares tem sido marcada por tensão e desconfiança.
Vereadores aliados cobram mais espaço na máquina pública e, principalmente, a liberação célere das emendas impositivas. O sentimento de insatisfação dentro da base é crescente.
As críticas à atuação de Igor Franco na Casa já são públicas e o próprio prefeito acena com a possibilidade de trocar seu líder na Câmara. Sem uma base sólida, Mabel corre o risco de ver sua administração encalhada em disputas internas, com impactos diretos na governabilidade e, principalmente, na vida da população.
A pacificação da base, nesse contexto, não é apenas uma necessidade política — é condição essencial para que a cidade avance.