O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), continua enfrentando fortes pressões dos vereadores da capital. Em mais um capítulo da queda de braço entre o Paço Municipal e a Câmara e na tentativa de evitar derrotas que o colocariam de joelhos diante do Legislativo, Mabel recuou estrategicamente e decidiu retirar da pauta de votação projetos com alto risco de arquivamento ou de serem alvo de diligências.
A medida reflete o esforço do prefeito para manter o mínimo de controle político num cenário de crescente hostilidade e perda de apoio, inclusive dentro de sua própria base. Nos primeiros seis meses de gestão, o chefe do Executivo tem esbarrado em resistências internas e externas, agravadas pela conduta de integrantes do primeiro escalão que acumulam críticas por suposta postura autoritária e ausência de diálogo com o Legislativo.
Esse desalinhamento tem minado a confiança dos parlamentares e alimentando um clima de rebelião velada, com queixas sendo vocalizadas tanto nos bastidores quanto em plenário. Na avaliação de analistas políticos, o objetivo dos vereadores é claro: ampliar seus espaços e influência dentro da administração municipal.
Embora o Paço tenha alegado questões técnicas para a retirada dos projetos da pauta da Câmara, a avaliação é que Mabel temia ser derrotado, o que abalaria sobremaneira sua autonomia diante do legislativo municipal.
Reunião não surtiu efeito
No último dia 2 de julho, Sandro Mabel se reuniu com 26 dos 35 vereadores numa tentativa de recompor pontes com o legislativo goianiense. Sob o argumento oficial de “alinhar projetos”, a reunião, como mostra os últimos acontecimentos, não surtiu efeito, e esse fracasso chegou a ser sinalizado pelo presidente da Câmara Municipal, Romário Policarpo, logo após o fim do encontro.
Na oportunidade, Policarpo disse que os vereadores agiram como “atores”, com a finalidade de esconderem a insatisfação com o Paço.