A crise entre o prefeito da capital, Sandro Mabel (União), e a Câmara Municipal de Goiânia chegou a um nível que escancara o que há de mais perverso na política local. O fisiologismo, que corrói a essência da representação política, domina as principais pautas do Legislativo goianiense, reduzindo a atuação parlamentar a uma atividade que pouco ou nada dialoga com a realidade da cidade.
Nesse embate, Mabel aparece como um prefeito acuado, que tenta resistir às pressões com as armas que dispõe. Sua intenção de frear a lógica da alegada “chantagem” institucional até poderia ser vista como legítima, mas esbarra em um obstáculo central: a ausência de apoio popular.
Um prefeito só vence quando governa com o respaldo das ruas, mas Mabel, até agora, não conseguiu construir essa ponte. Ao contrário, sua gestão é marcada por um estilo arrogante, quase truculento, que afasta possíveis aliados e o distancia do cidadão comum. A dificuldade de Mabel, segundo analistas, se explica pela forma como encara o comando da Prefeitura.
Empresário, Mabel age como se ainda estivesse em sua empresa, dando ordens e esperando obediência irrestrita. Mas a política não se move pela lógica patronal. Servidores e vereadores, que não são empregados, reagiram à postura autoritária, e o resultado é um isolamento político que mina qualquer tentativa de impor autoridade sem diálogo.