A tensão entre o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), e a Câmara Municipal alcança um ponto de inflexão preocupante. Nove meses após assumir o comando da capital, Mabel não conseguiu estabelecer um ambiente de cooperação com os vereadores, reproduzindo, ainda que por caminhos distintos, a crise institucional que marcou a gestão de seu antecessor, Rogério Cruz.
Sandro Mabel chegou com a promessa de romper com práticas fisiológicas e de enfrentamento que, segundo ele, inviabilizaram a administração passada. No entanto, a escalada de embates com o Legislativo indica que o conflito se tornou não apenas uma marca de seu governo, mas um risco real de paralisia administrativa.
Desde junho, pelo menos, Mabel adota um tom cada vez mais beligerante, mirando, inclusive, em nomes de sua própria base, como os emedebistas Lucas Vergílio e Diogo Franco, que, inclusive, foi seu líder na Câmara. As declarações públicas do prefeito, que acusa vereadores de “só quererem fazer coisas ruins para a cidade”, refletem um estilo de confronto que, embora possa galvanizar o discurso de independência, tem provocado reação oposta: a união de vereadores contra o Executivo.
O uso de termos depreciativos, como “malandrinhos” e “bezerrões”, intensifica a animosidade e transforma divergências políticas em um cenário de hostilidade pessoal e institucional. A luta contra a lógica fisiológica pode ser nobre, mas a estratégia adotada por Mabel — marcada por ataques pessoais — ameaça inviabilizar sua governabilidade.
Política dissociada do interesse público
Do outro lado, os vereadores goianienses também não escapam de críticas. Ao exigir espaços e benesses na administração, como denuncia o prefeito Sandro Mabel, parte da Câmara reitera o traço fisiológico que há décadas fragiliza a governabilidade em Goiânia.
Essa prática, que transforma a relação Executivo-Legislativo em balcão de negócios, mina a credibilidade da Casa e reforça a percepção de que a política municipal está dissociada do interesse público. O desafio de Mabel, portanto, é construir pontes sem ceder ao fisiologismo, mas também sem transformar a prefeitura em palco de guerra permanente.