Em uma crítica contundente, o pastor Aluízio Silva, líder da Igreja Videira e voz influente entre os evangélicos de Goiás, expôs o que considera ser um dos principais entraves ao avanço do movimento evangélico no Brasil: o bolsonarismo. Em reunião com lideranças religiosas, o pastor foi direto ao afirmar que “o bolsonarismo é o grande responsável pela desaceleração no crescimento do número de evangélicos no Brasil”. A fala reflete uma preocupação crescente dentro de setores da igreja com os efeitos deletérios da associação acrítica entre fé e ideologia política.
A crítica de Aluízio Silva não se limita à constatação estatística ou institucional. Ao classificar essa mistura como “distração do maligno”, ele aponta para um problema espiritual e ético mais profundo: a distorção da missão evangélica em nome de um projeto de poder. A evangelização, que deveria estar centrada na transformação pessoal e no serviço ao próximo, tem sido frequentemente instrumentalizada por discursos de ódio, teorias conspiratórias e polarização, elementos centrais da retórica bolsonarista.
O alerta do pastor escancara um dilema enfrentado pelas igrejas evangélicas: ou se afastam do discurso político sectário e reencontram seu papel social e espiritual original, ou correm o risco de perder legitimidade, especialmente entre os mais jovens e os setores mais críticos da sociedade. A associação entre líderes religiosos e políticos como Jair Bolsonaro tem provocado rupturas internas, afastado fiéis e esvaziado a potência inclusiva que o evangelho, em sua essência, carrega.
Ao romper o silêncio e criticar abertamente o bolsonarismo, Aluízio Silva se posiciona como um contraponto necessário dentro do campo evangélico, abrindo espaço para um debate urgente, cujo eixo central é a necessidade de separar fé de fanatismo político.