Em Goiás, os resultados eleitorais recentes deixam clara uma realidade política incontestável: a força eleitoral do governador Ronaldo Caiado (União) é significativamente superior à do bolsonarismo. Diferente do que afirmou o vice-presidente estadual do PL, Fred Rodrigues — derrotado nas eleições municipais de 2024 em Goiânia —, os fatos mostram que a ala bolsonarista liderada pelo senador Wilder Morais não tem conseguido rivalizar com o grupo político liderado pelo governador goiano.
Caiado venceu duas eleições consecutivas para o governo estadual no primeiro turno, em 2018 e 2022, sem apoio formal de Jair Bolsonaro. Em 2022, inclusive, enfrentou dois candidatos diretamente ligados ao ex-presidente, sendo que o principal nome do bolsonarismo terminou apenas em terceiro lugar.
Já em 2024, na eleição municipal de Goiânia, o próprio Fred Rodrigues, mesmo com o apoio direto e ostensivo de Bolsonaro, foi derrotado por Sandro Mabel (União Brasil), candidato de Caiado. A mesma coisa aconteceu nas eleições em Aparecida de Goiânia, segundo maior colégio eleitoral do Estado, quando o candidato bolsonarista, Professor Alcides (PL), foi derrotado pelo candidato caiadista Leandro Vilela (MDB).
Além disso, o PL teve um desempenho diminuto em todo o estado de Goiás, conquistando apenas 26 prefeituras, contra 94 do União Brasil de Caiado e 47 do MDB de Daniel Vilela, vice-governador e provável candidato ao governo em 2026.
Esses episódios ilustram um padrão: em Goiás, o eleitorado valoriza mais o desempenho e os resultados do governo estadual do que alinhamentos ideológicos nacionais. O grupo de Caiado tem se sustentado em uma base sólida de realizações administrativas e liderança política regional, enquanto o bolsonarismo, embora relevante, tem mostrado limitações estratégicas e eleitorais no Estado, cenário agravado pela radicalização do discurso das lideranças do PL em Goiás.