O ex-presidente Jair Bolsonaro, já réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal, saiu politicamente chamuscado e pessoalmente humilhado após a divulgação das mensagens extraídas de seu celular, apreendido pela Polícia Federal na investigação sobre obstrução de justiça.
Os diálogos tornados públicos não apenas reforçam a acusação de que Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram para coagir autoridades do Judiciário e do Legislativo a fim de interferir no processo, como também expõem fragilidades internas do clã familiar que sustenta seu projeto político.
A revelação de que o pastor Silas Malafaia exerce tamanha influência sobre os rumos da família Bolsonaro é particularmente devastadora. Nos diálogos, Malafaia não apenas aconselha, mas dita condutas e chega a repreender de forma dura tanto Bolsonaro quanto seus filhos.
Essa submissão fragiliza a imagem do ex-presidente, que sempre cultivou a postura de líder incontestável, mas agora aparece como subordinado a um conselheiro religioso que arbitra suas decisões e humilha seus herdeiros políticos. Politicamente, o episódio representa uma derrota simbólica para Bolsonaro.
A narrativa do “mito” se esfarela diante de um líder fragilizado, que perde autoridade dentro de casa, cede a pressões externas e demonstra falta de comando real sobre o movimento que ainda tenta liderar.
Disputas internas provocaram xingamento ao próprio pai
Mensagens divulgadas pela PF apontam que a tensão entre pai e filho tem como ponto central eventual apoio de Jair Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a disputa ao Planalto no ano que vem. Num dos áudios, Eduardo Bolsonaro coloca em dúvida a lealdade do republicano.
“Só para te deixar ciente: Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo vc se fuder (sic)”. Depois disso, Bolsonaro dá entrevista e chama o filho de “imaturo”, o que foi suficiente para ouvir um sonoro “VTNC ingrato do caralho (sic)”.