O anúncio da quinta candidatura de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás, feito neste sábado (27), expõe mais uma vez a insistência do ex-governador em se manter no centro da cena política, apesar do peso de sua rejeição. Segundo a última pesquisa AtlasIntel, 31,5% dos goianos rejeitam diretamente o nome de Marconi para o governo, percentual elevado que, segundo especialistas, inviabiliza qualquer projeto competitivo em um cenário eleitoral marcado pela solidez da base governista e boa aprovação do atual governo.
O evento, que marcou os 30 de anos de filiação partidária de Marconi ao PSDB e que oficializou sua pré-candidatura, revelou, também, o esvaziamento político do tucano: apenas três prefeitos — Minaçu, Jandaia e Pirenópolis — marcaram presença, além dos dois deputados estaduais do PSDB e dos vereadores tucanos de Goiânia. A baixa representatividade traduz o enfraquecimento de um líder que já comandou o Estado por quatro mandatos.
O discurso de Marconi, marcado pelo saudosismo, evitou enfrentar os grandes passivos que marcaram suas duas últimas gestões e que ajudaram a consolidar uma rejeição duradoura, que se transformou em barreira estrutural para qualquer tentativa de retorno. Não é coincidência que essa rejeição já tenha se traduzido em derrotas fragorosas nas duas últimas disputas de Marconi para o Senado, em 2018 e 2022.
A última pesquisa AtlasIntel, nesse contexto, mostra apenas de forma estatística o que a realidade política já vinha sinalizando: Marconi Perillo não consegue mais mobilizar as bases nem reconquistar a confiança popular, restando-lhe apenas a aposta em um discurso de passado que soa cada vez mais desconectado do presente.
Essa eventual candidatura de Marconi Perillo enfrenta obstáculos estruturais consideráveis. O PSDB, que já foi protagonista da política goiana, hoje é um partido em franco declínio no Estado, com apenas sete prefeituras e dois deputados estaduais. Essa fragilidade compromete não apenas a capilaridade da campanha, mas também a montagem de uma chapa competitiva para o parlamento estadual e federal.
Sem alianças consistentes, quase nenhuma musculatura partidária e com rejeição tão elevada, a pré-candidatura anunciada por Marconi Perillo soa mais como resistência pessoal a se retirar do jogo político do que como projeto viável de retomada do poder em Goiás, avaliam analistas políticos.