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Política

Pesquisa Quaest revela: bolsonarismo isola a direita e afasta maioria do eleitorado

Ao ignorar o eleitor moderado e apostar na retórica do confronto permanente, a direita brasileira comete um erro político crasso. Em vez de construir uma alternativa consistente ao governo Lula, mantém-se refém do culto personalista a Bolsonaro e de suas pautas de guerra cultural

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Depois do lobby antipatriótico de Eduardo Bolsonaro, a direita bolsonarista experimenta evidente desgaste junto ao eleitorado

A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (9), confirma um cenário cada vez mais adverso para a direita brasileira na disputa pela Presidência da República no ano que vem. Os dados mostram que, apesar do esforço para manter viva a retórica da polarização, os pré-candidatos ligados ao campo conservador seguem patinando. Enquanto o atual presidente, Lula da Silva (PT), preserva competitividade eleitoral, as candidaturas da direita apresentam sinais de estagnação e perda de musculatura política.

A pesquisa revela que a estratégia de apostar exclusivamente no voto ideológico não tem se mostrado eficaz, especialmente após a fadiga do bolsonarismo e sua incapacidade de dialogar com segmentos mais amplos do eleitorado.

O caso mais emblemático é o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que vinha sendo trabalhado como o nome “palatável” do campo conservador, capaz de unir bolsonaristas e setores moderados. No entanto, a distância entre Tarcísio e seu principal adversário vem crescendo, revelando dificuldade de expansão. Seu mau desempenho está diretamente relacionado à sua hesitação política e falta de autonomia estratégica.

Ao tentar agradar simultaneamente setores do mercado e o bolsonarismo ideológico, Tarcísio mostra inconsistência discursiva. Seu maior erro, porém, foi alinhar-se ao lobby radical do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no incidente diplomático com os Estados Unidos, quando se omitiu diante das retaliações comerciais americanas contra o Brasil. O episódio passou ao eleitorado a imagem de um líder vacilante, submisso ao radicalismo familiar de Bolsonaro e incapaz de defender interesses nacionais.

A pesquisa também desmonta um dos principais mitos alimentados pela direita nas redes sociais: o de que o bolsonarismo seria a principal força política do país. Segundo o levantamento, apenas 13% dos brasileiros se declaram bolsonaristas convictos, enquanto 22% dizem pertencer à direita não bolsonarista e 29% se assumem independentes.

Em outras palavras, 51% do eleitorado brasileiro está fora do campo lulista e também rejeita o extremismo bolsonarista. Ainda assim, os partidos conservadores insistem em subordinar suas estratégias ao núcleo radical do bolsonarismo, restringindo sua capacidade de diálogo e de crescimento eleitoral.

A pesquisa Quaest, portanto, soa como um alerta definitivo: se insistir em reeditar 2022, a direita caminhará para uma derrota anunciada em 2026. O país demanda soluções econômicas, estabilidade institucional e capacidade diplomática — não bravatas, submissão internacional nem oportunismo eleitoral.

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