Ronaldo Caiado (União) consolidou-se, ao longo de quase quatro décadas de vida pública, como uma das mais sólidas referências da direita brasileira. Entre os nomes que hoje se apresentam como pré-candidatos presidenciais desse campo político, nenhum reúne experiência, coerência ideológica e capacidade de gestão comparáveis às do governador de Goiás.
Trata-se de uma constatação política objetiva, ratificada por analistas, e não de um devaneio regionalista. A trajetória de Caiado tem raízes históricas e marcos concretos: médico por formação, o goiano ganhou projeção nacional ao fundar, em 1985, a União Democrática Ruralista (UDR), movimento decisivo na defesa da propriedade privada e da segurança jurídica no campo.
Caiado foi uma liderança atuante na transição democrática e levou essa causa para a arena constitucional, quando sua articulação garantiu a inviolabilidade do direito de propriedade no texto da Constituição de 1988. No Congresso Nacional, sua atuação parlamentar foi marcada pela firmeza de posições e pela rara combinação entre discurso e prática.
Mas foi no Executivo que Caiado mostrou seu principal diferencial em relação aos demais presidenciáveis de direita: a capacidade de governar. Em 2019, assumiu Goiás mergulhado no caos financeiro, entre os quatro estados em pior situação fiscal, com dívidas atrasadas e grave colapso administrativo.
Em seis anos de mandato, reverteu o quadro e levou o estado ao topo do ranking de solidez fiscal. Na segurança pública, promoveu a maior queda nos índices de criminalidade do país. Caiado é, sem dúvidas, o nome que tem o currículo mais robusto entre todos os presidenciáveis da direita.
Mesmo assim, a política não se move apenas pela competência. Caiado enfrenta um obstáculo estrutural: governa um estado periférico do ponto de vista eleitoral, responsável por apenas 3% do eleitorado nacional. Apesar de ser considerado o melhor governador do país por três anos consecutivos, segundo a pesquisa Quaest, ainda é desconhecido por 54% dos brasileiros.
Esse é seu maior desafio — romper a barreira do anonimato nacional. Se conseguir fazê-lo, pode surpreender e tornar-se uma alternativa viável e competitiva para 2026.