O governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), parece ter dado um grito de libertação política ao se insurgir contra o aprisionamento da direita brasileira pelo bolsonarismo radical. Em tom firme, Mendes criticou a atuação de figuras como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a quem atribuiu uma “lambança gigante” ao apoiar o tarifaço imposto por Donald Trump contra o Brasil.
A fala do governador, que chegou a duvidar da sanidade mental do filho do ex-presidente, foi considerada necessária por aliados, e ecoa como um chamado à direita tradicional e à centro-direita para romper as amarras ideológicas e estratégicas impostas pelo radicalismo bolsonarista, que, paradoxalmente, tem agido contra a própria oposição ao governo Lula.
O estopim da reação de Mendes foi o mais recente ataque de Eduardo Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais nomes da direita com potencial eleitoral para 2026.
Ao alvejar Tarcísio, o deputado paulista não apenas enfraquece a direita moderada, mas também contribui para a fragmentação do campo oposicionista, favorecendo diretamente o projeto de reeleição de Lula.
Desde julho, quando admitiu estar nos Estados Unidos articulando sanções ao Brasil, Eduardo se tornou, nas palavras de analistas, o “cabo eleitoral mais eficiente do PT”. Desde o início dos ataques comerciais dos EUA ao Brasil, a popularidade de Lula subiu substancialmente, ao passo que o discurso patriótico do bolsonarismo passou a ser visto com ressalvas.
A insatisfação de Mauro Mendes, portanto, não é isolada: expressa o sentimento crescente de governadores e lideranças que enxergam no bolsonarismo uma armadilha que inviabiliza a reconstrução de um projeto político de direita moderno, liberal e competitivo.
Caminho para a direita tradicional
Mais que um desabafo, o pronunciamento de Mendes é um divisor de águas: marca o início de uma disputa interna pela hegemonia da direita brasileira. Se for ouvido, pode abrir caminho para que a oposição reencontre sua racionalidade política — e se liberte, de vez, da tutela dos radicais que transformaram o bolsonarismo em uma força autodestrutiva.
Os ataques de Eduardo Bolsonaro, embora diretamente a Tarcísio de Freitas, atinge todos os demais pré-candidatos da direita e soa como recado de que, fora do clã Bolsonaro, não existe candidato possível para 2026.