Diante da paralisia que tomou conta do campo bolsonarista, o União Brasil, sob comando de Antônio Rueda, decidiu abandonar a posição de coadjuvante e assumir de vez a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
A indefinição da direita ocorre, sobretudo, pelos entraves criados por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que insiste em atacar aliados e tensionar o próprio bloco na tentativa de preservar para si o posto de representante presidencial do clã Bolsonaro em 2026.
Nesse cenário de disputas internas, Rueda concluiu que esperar por consenso seria desperdiçar tempo — e capital político. Segundo a jornalista Daniela Lima, do portal UOL, o União Brasil vai bancar um publicitário de peso para impulsionar Caiado, cobrindo praticamente toda a pré-campanha.
A decisão reflete não apenas a busca do partido por protagonismo, mas também o cálculo de que a movimentação de Flávio Bolsonaro, ao se colocar como pré-candidato à Presidência, embaralhou de vez o jogo na direita. Se antes já era difícil vislumbrar unidade, agora parece impossível.
Diante desse cenário fragmentado, o União Brasil aposta que Caiado, com seu discurso duro e protagonismo no debate sobre segurança pública, tem condições reais de ocupar espaço e chegar ao segundo turno. A sigla, enfim, decidiu jogar para vencer — ainda que sem o selo do bolsonarismo.
Nome competitivo
A reafirmação pública de Rueda — de que o União tem candidato próprio, e que esse candidato é Caiado — ganha contornos práticos com a contratação da assessoria.
O gesto evidencia que o partido entendeu duas premissas: a direita deve chegar ao pleito com mais de um nome competitivo, e Jair Bolsonaro dificilmente avalizará alguém de fora da própria família.
Nos bastidores, a avaliação é clara: Eduardo e Flávio atuam para inviabilizar qualquer alternativa externa ao núcleo familiar. Nem mesmo Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, até então visto como herdeiro natural do bolsonarismo, escapa dos ataques do “03”.