A reação firme do vice-governador Daniel Vilela, presidente estadual do MDB, à movimentação recente de Marconi Perillo (PSDB) evidencia uma disputa simbólica que ultrapassa o campo eleitoral e alcança a memória política de Goiás. O ex-governador tucano tem buscado, em declarações e gestos públicos, incorporar fragmentos da história de Iris Rezende – maior líder político goiano, morto em 2021 após mais de seis décadas de vida pública.
Para Daniel, essa tentativa de apropriação é artificial e oportunista, um movimento calculado de quem tenta recuperar protagonismo associando-se a um legado que jamais lhe pertenceu. A leitura do emedebista é de que se trata de uma tentativa desesperada de reescrever o passado para reposicionar-se no futuro.
“O povo goiano sabe o que ele falava do Iris, o quanto ele tentou perseguir agressivamente o Iris, os familiares do Iris. O MDB foi oposição ao Marconi porque não compactuava com as práticas dele”, reagiu o emedebista, em entrevista durante encontro com a imprensa, na manhã da terça-feira (9).
Daniel Vilela foi direto ao afirmar que, depois de afundar o PSDB e a própria carreira política, Marconi agora tenta escorar-se numa história verdadeira – a de Iris e do MDB – sem qualquer respaldo das grandes lideranças do partido. Na avaliação do vice-governador, falta humildade e sobra arrogância ao tucano, que, após deixar o governo de forma melancólica, tenta reconstruir sua imagem por meios transversos, manipulando memórias e suavizando antagonismos históricos.
“O Marconi, quando fugiu de Goiás e foi ficar escondido em São Paulo, ele teve muito tempo para refletir sobre os erros que ele cometeu e buscar humildade para tentar reconstruir a sua história política, mas me parece que falta a ele essa humildade”, avalia.
O presidente do MDB goiano reafirma que a distância política entre Iris e Marconi sempre foi clara, pública e inegociável, marcada por concepções radicalmente opostas de gestão e de relacionamento com o poder. O emedebista lembra, também, que Iris, durante toda a trajetória, combateu firmemente os métodos de Marconi, manteve o MDB na oposição e jamais compactuou com as práticas tucanas.
Por isso, Daniel considera absurda qualquer tentativa de reescrever a história para minimizar o confronto entre os dois. O vice-governador ressalta que a narrativa agora construída por Marconi não resiste ao crivo da memória coletiva. O que se vê, segundo ele, é um gesto doentio de oportunismo político, um artifício para tentar apagar tensões reais e consolidar um revisionismo incompatível com os fatos.
Ao final, Daniel Vilela reforça que o MDB segue grande, coeso e consciente de sua trajetória, ainda que existam figuras isoladas que busquem atalhos pessoais por inconformismo ou ambição. Para ele, quem tem prestígio no partido está alinhado ao projeto coletivo e não precisa disputar heranças que não lhe pertencem. O recado é firme: o legado de Iris Rezende é patrimônio histórico, não moeda de troca. E qualquer tentativa de capturá-lo à força expõe mais fragilidades do que grandeza.