O anúncio do retorno da deputada federal Magda Mofatto ao PL goiano não pode ser lido como um simples movimento partidário, mas como mais um elemento de pressão direta sobre o senador Wilder Morais, atual presidente estadual da legenda e pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Na avaliação de analistas políticos, trata-se de uma peça estratégica cuidadosamente encaixada no tabuleiro sucessório de 2026, com objetivo claro: neutralizar a pretensão de Wilder e alinhar o PL ao projeto governista liderado pelo governador Ronaldo Caiado (União) e pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB). Magda retorna ao partido já investida de uma missão política explícita: costurar o apoio do PL à candidatura de Daniel Vilela ao governo de Goiás.
O movimento, longe de ser discreto, busca afastar por completo a hipótese de candidatura própria da sigla e abrir caminho para uma aliança ampla com a base do governador Ronaldo Caiado. Pesquisas recentes reforçam essa estratégia ao indicar que Daniel reúne musculatura eleitoral suficiente para liquidar a disputa ainda no primeiro turno, cenário que aumenta a pressão interna sobre o PL para aderir ao projeto palaciano.
Como tem sido reiteradamente destacado pela imprensa goiana, Wilder Morais e o deputado federal Gustavo Gayer travam uma disputa silenciosa, porém intensa, pelo destino do partido no estado. De um lado, a defesa da candidatura própria; de outro, a construção de uma aliança pragmática com o governo.
O retorno de Magda, avalizado pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, e precedido de conversa com Ronaldo Caiado, sinaliza qual dessas teses ganha força no plano nacional da legenda.
“Não podemos abrir mão de Wilder no Senado”
Embora chegue ao PL com a missão de costurar a aliança do partido com a base governista liderada pelo governador Ronaldo Caiado (União), a deputada federal Magda Mofatto fez questão de ponderar, em entrevista à Coluna Giro, de O Popular, sobre a importância estratégica da permanência do senador Wilder Morais no Congresso.
Segundo ela, o mandato de Wilder ainda se estende por mais quatro anos e representa um ativo relevante para o campo da direita. “Não podemos abrir mão dele no Senado. Temos que ampliar a presença da direita. Se acontecer de ele ser eleito, essa vaga vai para a esquerda”, avaliou.
A declaração faz referência à possível ascensão da suplente Izaura Cardoso (PSD), esposa do senador Vanderlan Cardoso (PSD), em caso de afastamento definitivo de Wilder do mandato.