Entre o último ano completo da gestão de Marconi Perillo (2017) e o último exercício integral do governo de Ronaldo Caiado (2025), Goiás atravessou uma inflexão fiscal que merece análise objetiva. Ambos deixaram – ou deixarão – o comando do Executivo em março, transmitindo o cargo aos respectivos vices: Perillo a José Eliton, em 2018, e Caiado a Daniel Vilela (MDB), que disputará a reeleição.
A comparação dos números revela não apenas estilos distintos de gestão, mas realidades fiscais diametralmente opostas. Ao final de 2017, último exercício totalmente sob responsabilidade de Perillo, o Executivo goiano registrava indisponibilidade de caixa de R$ 2,075 bilhões, conforme relatório da área técnica do Tribunal de Contas do Estado de Goiás.
A Gerência de Controle de Contas do TCE-GO apontou “desequilíbrio financeiro das contas estaduais pela indisponibilidade de caixa para inscrição e quitação dos restos a pagar”, configurando irregularidade grave. O rombo que explodiria em 2018 – alcançando cerca de R$ 6,6 bilhões negativos – embora formalmente recaído sobre José Eliton, vinha sendo gestado desde 2012, segundo ano do terceiro mandato de Perillo, quando se consolidou uma trajetória de déficits orçamentários e financeiros recorrentes, que perdurou até 2018.
O contraste do último governo tucano com 2025 é expressivo. Após sete anos de gestão Caiado, o Tesouro Estadual goiano assinalou disponibilidade de caixa positiva de R$ 9,8 bilhões.
Em termos nominais, trata-se de um robustecimento próximo de R$ 12 bilhões na comparação direta entre 2017 e 2025.
Se considerado o saldo negativo de 2018, a virada fiscal supera R$ 16 bilhões. Não se trata apenas de recomposição conjuntural, mas de reversão estrutural de tendência administrativa.
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