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Política

Wilder sofre revés na Justiça Eleitoral em ofensiva contra críticas políticas

Desembargadora nega pedido do senador bolsonarista e impõe freio à judicialização de críticas, reforçando a liberdade de expressão

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Senador Wilder Morais, do PL, é pré-candidato ao governo de Goiás

A mais recente tentativa do senador Wilder Morais (PL), pré-candidato ao governo de Goiás, de transferir para os tribunais o embate político sofreu um revés significativo. A Justiça Eleitoral negou o pedido de tutela provisória de urgência apresentado pelo parlamentar contra o suplente de deputado federal Felipe Cecílio (PSDB), que havia publicado críticas duras ao senador nas redes sociais, chamando-o de “oportunista” e “desonesto”. As críticas de Cecílio se deram no contexto de decepção com a abstenção do senador bolsonarista na votação de homologação do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.

Wilder queria a remoção imediata da postagem e buscava transformar a crítica política em matéria passível de censura judicial. A relatora, desembargadora Stefane Fiúza Cançado Machado, observou, no entanto, que, embora a manifestação tivesse tom áspero, não houve pedido explícito de não voto, nem divulgação de fato sabidamente inverídico ou elemento suficiente para caracterizar propaganda eleitoral antecipada negativa. Em outras palavras: crítica política, ainda que dura, permanece protegida pela liberdade de expressão. O entendimento reproduz, inclusive, posição consolidada do Tribunal Superior Eleitoral, segundo a qual o debate público deve suportar divergências, ironias e ataques retóricos próprios da arena política.

A decisão ganha peso ainda maior porque não se trata de episódio isolado. Wilder Morais vem se notabilizando nos últimos meses por uma estratégia crescente de judicialização das críticas dirigidas à sua atuação política. Já são mais de 30 ações movidas contra veículos de imprensa e jornalistas, numa sequência que passou a despertar preocupação entre profissionais da comunicação e observadores da cena política. A impressão que se consolida é a de uma tentativa de deslocar o confronto político — que deveria ocorrer no espaço público, na imprensa e no debate de ideias — para o ambiente jurídico.

O revés sofrido por Wilder vai além da derrota processual. A decisão sinaliza um limite institucional: a Justiça Eleitoral não pode ser transformada em instrumento de contenção de críticas políticas. Em tempos de pré-campanha, a liberdade de expressão continua sendo a regra; a intervenção judicial, a exceção. E talvez esse seja o recado mais duro recebido pelo senador até aqui.

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