A dramática condição fiscal de Minas Gerais expõe uma contradição incontornável no discurso do governador Romeu Zema (Novo). Pré-candidato à Presidência da República, Zema construiu sua imagem nacional como paladino do ajuste fiscal e crítico contumaz da gastança federal. No entanto, os números do próprio Estado sob sua gestão revelam um cenário de profundo desequilíbrio, colocando em xeque a coerência entre o discurso e a prática administrativa.
Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo aponta que Minas ostenta hoje a pior situação financeira do país. O rombo de caixa supera R$ 11,3 bilhões quando considerados os recursos não vinculados — ou seja, aqueles efetivamente disponíveis para honrar compromissos. Na prática, o Estado não dispõe de margem financeira para saldar suas obrigações básicas, quadro que desmonta a narrativa de rigor e eficiência propagada pelo governador.
Em seu segundo mandato, Zema não conseguiu reequilibrar as contas públicas. A Dívida Consolidada ultrapassa R$ 213 bilhões, o equivalente a 191% da Receita Corrente Líquida. Já a Dívida Consolidada Líquida alcança R$ 187,1 bilhões, ou 167,46% da RCL. São indicadores alarmantes para qualquer gestor que pretenda apresentar-se como alternativa nacional baseada na responsabilidade fiscal e no controle das despesas públicas.
Crítico frequente do governo do presidente Lula, Zema parece ignorar que o eventual alívio das contas mineiras deve vir justamente de iniciativas federais, como o Propag, voltadas à renegociação das dívidas estaduais.
Embora tente se justificar, afirmando que recebeu o estado de Minas Gerais em situação calamitosa, o fato é que sete anos se passaram, sem que o governador conseguisse minimizar o caos fiscal que domina as contas públicas mineira. Sem dar solução aos seus problemas domésticos, Zema perde toda credibilidade para quem ambiciona governar o país.