O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), inicia o segundo semestre legislativo em meio a um ambiente político carregado e marcado por atritos com àquela que seria sua base na Câmara Municipal. Em mais um capítulo dessa disputa, Mabel sugere que há um grupo de vereadores com intenções que, segundo ele, não estariam alinhadas nem com os interesses da Prefeitura, nem com as demandas da população.
O estopim da tensão é a possível instalação de uma CEI para investigar o contrato da LimpaGyn — movimento que o prefeito considera motivado por razões obscuras. Como se não bastasse, os vereadores também desarquivaram o projeto que tenta revogar a polêmica Taxa do Lixo, medida que Mabel classificou como um “aperto no prefeito”.
Na avaliação do chefe do Executivo, esse cenário de hostilidade é uma forma de pressão para forçar a ampliação de espaços políticos dentro da administração municipal. Mabel, porém, garante que não cederá a esse tipo de manobra. “Eu, de aperto, não vivo”, afirmou, num recado direto aos parlamentares.
A prática, vale lembrar, não é novidade na política goianiense: durante a gestão de Rogério Cruz, vereadores conseguiram extrair vantagens e cargos mediante pressões semelhantes, o que, em grande parte, resultou no desastre administrativo daquele governo. A questão que se impõe, portanto, é inevitável: Sandro Mabel terá musculatura política para encarar e vencer o mesmo jogo que derrubou Rogério Cruz?