A Justiça de Goiás determinou a remoção de conteúdos considerados ofensivos publicados nas redes sociais pelo vereador Igor Franco contra o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, em mais um capítulo da escalada de tensão entre os dois políticos. A decisão, proferida no âmbito de ação cível, reconheceu indícios de uso indevido de inteligência artificial para associar a imagem do prefeito a situações vexatórias e potencialmente enganosas.
A magistrada Fabíola Fernanda Feitosa, do 1º Juizado Especial Cível, entendeu que, embora agentes públicos estejam sujeitos a críticas, há limites quando há manipulação de conteúdo capaz de induzir o público ao erro. O juízo apontou que o material divulgado pode ter extrapolado a crítica política legítima ao recorrer a montagens e simulações com uso de tecnologia, ampliando riscos de desinformação e danos à reputação. Com base nesses elementos, foi concedida tutela provisória parcial, determinando a exclusão dos conteúdos em até 48 horas, sob pena de multa de R$ 1 mil por descumprimento.
A decisão ressalta ainda que a medida não configura censura prévia, mas sim uma limitação pontual a conteúdos específicos considerados potencialmente ilícitos, preservando o direito à manifestação regular. O entendimento também levou em conta a velocidade de disseminação de informações nas plataformas digitais, o que poderia ampliar os prejuízos à imagem do gestor municipal.
O embate judicial reflete uma relação política já deteriorada. Igor Franco, que chegou a ocupar a liderança do prefeito na Câmara Municipal, foi destituído do posto sob acusação de infidelidade, após atuar contra projetos considerados estratégicos pelo Paço. Desde então, o distanciamento evoluiu para confronto aberto, com troca de acusações públicas e iniciativas políticas e judiciais.
O vereador intensificou a ofensiva ao protocolar pedido de impeachment contra o prefeito e ampliar o tom das críticas, enquanto Mabel passou a reagir também no campo jurídico. Além da ação cível que resultou na decisão recente, o prefeito acionou o parlamentar na esfera penal, evidenciando que o conflito ultrapassou o campo político e passou a ser travado também nos tribunais.
O caso ilustra um cenário de judicialização crescente das disputas políticas em Goiânia, em que divergências institucionais ganham contornos pessoais e digitais, com impacto direto no ambiente político e administrativo da capital.
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