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Política

Tarifaço reacende acusação de traição contra a família Bolsonaro

Brasil rebate acusações dos EUA, denuncia exigências consideradas inaceitáveis e amplia embate político ao responsabilizar a família Bolsonaro

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Senador Flávio Bolsonaro em reunião com Donald Trump. Planalto acusa lobby da família Bolsonaro por tarifaço contra o Brasil

As declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, segundo as quais o Brasil teria negociado de má-fé e, por isso, merecido a imposição de tarifas de 25% sobre seus produtos, receberam resposta firme do governo brasileiro. Em pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as afirmações como “inaceitáveis e ofensivas” e rebateu a narrativa de que Brasília teria se recusado ao diálogo. Ao contrário, destacou que, desde março de 2025, foram realizadas mais de 30 reuniões e contatos em diferentes níveis entre autoridades dos dois países, demonstrando disposição permanente para negociar.

Segundo o chanceler, o verdadeiro impasse surgiu porque o Brasil se recusou a aceitar exigências consideradas incompatíveis com a soberania nacional. Vieira revelou que, durante as negociações, os Estados Unidos pressionaram pela abertura total, irrestrita e exclusiva de setores inteiros da economia brasileira, sem oferecer qualquer reciprocidade aos produtos nacionais. “Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, resumiu o ministro, ao afirmar que o governo brasileiro não aceitou transformar uma negociação comercial em um exercício de submissão.

O ministro também desmontou outro dos argumentos apresentados por autoridades norte-americanas: a alegação de que o PIX representaria uma forma de concorrência desleal. Vieira ressaltou que o sistema é uma infraestrutura pública criada pelo Banco Central, acessível a todas as instituições financeiras que operam no país, classificando como “descabidas” as acusações feitas pelos Estados Unidos.

Também nesta quinta-feira (16), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom político do episódio ao divulgar nota atribuindo parte da responsabilidade pelo desfecho das negociações à família Bolsonaro. Segundo o Planalto, o processo que culminou na tarifação dos produtos brasileiros foi alimentado pela atuação de integrantes do clã bolsonarista junto às autoridades norte-americanas, numa estratégia voltada a interesses eleitorais e pessoais.

A manifestação reforça a leitura de que a disputa comercial extrapolou os limites da diplomacia e passou a incorporar elementos da política interna brasileira, colocando em debate até que ponto agentes políticos nacionais contribuíram para ampliar um conflito que hoje produz impactos diretos sobre a economia do país.

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