A política goianiense vive um episódio sem precedentes, digno de registro histórico. O líder do prefeito na Câmara Municipal, vereador Igor Franco (MDB), tem desafiado abertamente o próprio “chefe”, Sandro Mabel (União), em um embate político que rompe com a lógica tradicional da relação entre Executivo e Legislativo.
O caso ganhou contornos mais graves após as suspeitas do Paço de que Franco foi um dos principais articuladores para a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a Limpa Gyn, instrumento que teria o objetivo de pressionar o Executivo por mais cargos na Prefeitura, segundo o prefeito.
A iniciativa, que deveria partir de opositores, veio justamente de quem, em tese, tem a missão de blindar o Paço e articular a base de apoio do prefeito no parlamento. Desde então, a relação entre Mabel e Franco azedou. O descontentamento do prefeito e de secretários de primeiro escalão é público, com críticas veladas e, por vezes, explícitas à postura do líder.
A função de liderança na Câmara, que pressupõe alinhamento político e defesa das pautas do Executivo, tornou-se palco de dissidência e constrangimento. Franco, inclusive, rebateu as declarações de Mabel, e disse que não há pressão por cargos na Prefeitura. “A base já está atendida”, diz.
Sandro Mabel já admite, nos bastidores, trocar seu representante no Legislativo, ciente de que a atual situação mina sua autoridade e fragiliza a governabilidade. Franco, por sua vez, resiste com firmeza, negando que a CEI represente ameaça à gestão e sustentando que a investigação trará mais transparência — discurso que o aproxima do eleitorado, mas o distancia do Paço.